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Presidente da Guiné-Bissau admite retomar diálogo com homólogo da Guiné-Conacri

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, admitiu este domingo dialogar com o seu homólogo da Guiné-Conacri, Alpha Condé, que encerrou unilateralmente as fronteiras com Bissau, Senegal e Serra Leoa, em setembro passado por razões de segurança, provocando mal-estar político.

“Eu penso que não há inimigos permanentes. Há momentos para fazer guerra e há momentos para fazer pazes. Eu nunca tive problemas com o Presidente Alpha Conde”, afirmou Umaro Sissoco Embaló aos jornalistas no final da vista do presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) e chefe de Estado do Gana, Nana Akufo-Addo.

Momentos antes, numa declaração conjunta à imprensa, Nana Akufo-Addo disse estar “muito contente” com a posição de Umaro Sissoco Embaló em relação ao mal-entendido com a Guiné-Conacri.

“Pode ter a certeza que farei o meu melhor para que a questão seja ultrapassada”, salientou.

Nas declarações aos jornalistas, Umaro Sissoco Embaló explicou que o Presidente Nana Akufo-Addo tem tentado uma aproximação e que hoje falou e que lhe disse que “não se opunha”.

“Somos homólogos e chefes de Estados de países irmãos e temos de saber diferenciar os nossos problemas dos do país”, afirmou, referindo-se ao chefe de Estado da Guiné-Conacri.

Umaro Sissoco Embaló salientou também que depois da visita de Estado que vai realizar a Cabo Verde falará com o Presidente Alpha Condé.

A Guiné-Conacri decretou, a 29 de setembro de 2020, o encerramento das suas fronteiras com a Guiné-Bissau, Senegal e Serra Leoa por razões de segurança e no contexto da campanha eleitoral para as presidenciais de 18 de outubro, que acabaram por ser ganhas pelo atual Presidente, Alpha Condé, depois de alterações na Constituição, que lhe permitiram concorrer a um terceiro mandato.

Já em outubro, o ministro da Segurança e Proteção Civil da Guiné-Conacri, Damantang Albert Camará, disse ter informações “seguras e fidedignas” sobre uma suposta entrada no seu país de armas de uso militar, provenientes da Guiné-Bissau, que as autoridades de Bissau sempre recusaram.

“Ele fechou as fronteiras com aqueles três países porque pensou que estavam a apoiar o candidato Cellou Dalein Diallo. O que é caricato. Fechou de forma unilateral, o que vai contra o espírito dos acordos da Cedeao e da boa vizinhança”, afirmou Umaro Sissoco Embaló, em declarações à Lusa há duas semanas.

Apesar de estar disposto a dialogar, Umaro Sissoco Embaló insistiu que não vai negociar abertura de fronteiras, porque a fronteira da Guiné-Bissau com a Guiné-Conacri está aberta.

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