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O berço da aviação militar

A empresa conhecida como o “berço dos aviões militares chineses”, a Shenyang Aircraft Corporation, celebrou esta semana o 70º aniversário

Há 70 anos a China decidiu investir seis mil milhões de quilos de milho painço (milho-miúdo) para desenvolver a criação da própria indústria de aviação, para conseguir fazer frente aos EUA e ajudar a Coreia durante a guerra. A 29 de junho de 1951 foi criada a primeira empresa de aeronaves militares, antecessora da Shenyang aircraft Corporation, em Shenyang, província de Liaoning, com o nome de código Fábrica Nacional 112, ainda hoje usado.

Ao longo destes 70 anos, a empresa que nasceu para “proteger a nação” produziu mais de 40 modelos de aeronaves, incluindo o desenvolvimento do primeiro avião de combate para treino, o primeiro avião de combate supersónico, o primeiro avião de combate a elevada altitude e alta velocidade e o primeiro porta-aviões de combate, completando a evolução dos equipamentos de defesa nacional chineses, incluindo ainda armas terrestres e navais.

Desde a Segunda Guerra sino-japonesa até à proclamação da República Popular da China, o milho painço foi usado como uma medida de receitas e despesas fiscais, para combate às flutuações de preços. Na altura, seis mil milhões de quilos equivaliam a cerca de 600 milhões de yuan.

O nascimento da Shenyang Aircraft Corporation marca o início da nova indústria de aviação chinesa.

Em 1953, a China começou a aplicar o primeiro Plano Quinquenal, aparecendo a Fábrica 112 como um dos 156 projetos auxiliados pela União Soviética. No espaço de três anos a unidade cresceu até integrar 10 mil funcionários com espírito de luta e inovação, produzindo a 19 de julho de 1956, para teste, a primeira aeronave de combate Shenyang J-5.

Tang Gansan, antigo diretor-geral da Shenyang Aircraft corporation, relembra esse exato momento há 65 anos. “Fiquei imensamente contente! Começámos todos a dançar, todos muito orgulhosos. Quando se traz honra à nação, não há trabalho em vão”, diz. O sucesso do avião teve um grande significado. O diretor da fábrica 112 entre 1955 e 1960 relembra agora: “O sucesso da primeira produção de uma aeronave de combate não só deu força aos militares, como também aumentou a eficácia de combate. Promoveu ainda o desenvolvimento de indústrias relacionadas e departamentos de investigação científica, como metalurgia e eletrónica ou aerodinâmica. Podemos dizer que foi um grande passo em frente para o nível industrial chinês. Apesar do grande valor, esta contribuição não se limitou à Fábrica 112”, assinala.

Desde cópias até designs originais, após 70 anos de desenvolvimento, a empresa cresceu até se tornar numa grande e moderna fábrica. Com produtos de aviação como foco central, integram também pesquisa científica, produção, testes de aviação e serviços de garantia, marcando posição como uma das principais empresas da Corporação da Indústria de Aviação da China, com mais de 15 mil funcionários.

Sendo a primeira fábrica de aeronaves criada durante a nova era da indústria de aviação chinesa, desde cedo que a Shenyang Aircraft Corporation apoia também outras unidades da indústria através de recursos humanos, tecnologia e equipamentos. Mais de 20 mil gerentes e técnicos foram já enviados para Guizhou, Shaanxi e Sichuan, para ajudar na produção de aviões de combate, helicópteros, bombardeiros, hidroaviões e mísseis. Esta é outra das razões que faz com que a empresa seja conhecida como o “berço dos aviões militares chineses”.

O 70.º aniversário da companhia coincide com as celebrações dos 100 anos da fundação do Partido Comunista da China.

Tang Chensheng, de 57 anos, é engenheiro na área de maquinaria e inteligência da empresa. Em 1988, quando terminou a universidade e começou a trabalhar na fábrica, estavam a produzir o Shenyang J-8. Ao longo de 33 anos, admite que está sempre a aprender, tendo até ao momento criado 55 patentes originais.

Durante a sua pós-graduação, apesar das dificuldades, terminou o projeto de “desenvolvimento de design e produção digital de fresas de corte CNC” uma nova mecânica que contribui para a eficácia e precisão da produção, sendo premiado pela patente com a medalha de ouro da 5ª edição da Feira de Invenções da China.

Todavia, devido à complexidade destes materiais, grande número de componentes e altos requisitos da produção de aeronaves, algumas fases de produção ainda têm de ser feitas à mão. Yang Guoxin é um desses trabalhadores.

Ao contrário da maioria dos colegas, este jovem de 27 anos tem interesse em trabalhos manuais. “Aprender com outras pessoas oferece um sentimento de competição entre mestres”, diz. No ano passado chegou a receber a medalha de ouro na 16ª “Taça de Zhengxing”, uma competição nacional para jovens com aptidão profissional.

Há seis anos Yang Guoxin tornou-se no primeiro chefe técnico da fábrica. Normalmente este processo de evolução de carreira demora mais de 20 anos.

Na véspera do 70º aniversário, Tang, de 88 anos, juntamente com alguns dos antigos colegas foram convidados para uma visita à fábrica. Manifestaram nostalgia ao ver as mudanças em equipamentos, produtos, softwares e gestão, mas expressaram o desejo de continuar a ver a empresa evoluir e a diminuir a distância para a indústria de aviação estrangeira.

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