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Os direitos humanos não podem ter fronteiras

Na semana passada, mais de 8.000 pessoas de origem marroquina, entre elas 800 menores de idade, conseguiram entrar ilegalmente em Espanha. Milhares de pessoas foram devolvidas, enquanto outras aguardam respostas e pedem para não regressar ao seu país de origem.

Sem dinheiro, comida, abrigo ou forma de comunicar com os familiares, estas pessoas agarram-se à esperança de poderem construir um futuro na Europa, depois de fugirem dos seus países por medo, insegurança ou risco de perderem a própria vida. Uma tentativa, quase impossível, de viverem uma vida onde têm acesso a direitos universais como a saúde, a educação ou o emprego.

Todos os anos morrem centenas de migrantes no Mar Mediterrâneo na tentativa de fugir a contextos de guerra, violência e pobreza. Segundo a Organização Internacional para a Migração, em 2020 registou-se a morte ou desaparecimento no mar de 2300 migrantes que tentavam chegar a solo europeu. Esta é uma realidade que está bem perto de nós, com a chegada de imigrantes ao Algarve em situação ilegal.

Esta grave situação deve convocar todos os países da União Europeia para que, num espírito coletivo,  se redobrem os esforços efetivamente necessários para encontrar respostas conjuntas de combate a este fenómeno ao qual não podemos de todo ficar indiferentes. Não podemos olhar para o lado quando temos imagens que repetidamente entram no conforto das nossas casas, que mostram pessoas, muitas delas crianças, que morrem diariamente. Empatia precisa-se, e ação política também!

As fronteiras escondem mais do que um trágico cenário, mas sim uma verdadeira crise dos Direitos Humanos. Não nos podemos escudar em conceitos como o de migrantes ilegais, refugiados ou socorristas, pois que estamos tão somente diante de seres humanos. Imagens, que rapidamente se tornaram virais, da socorrista espanhola da Cruz Vermelha, Luna Reyes, que não ficando indiferente à dor dos migrantes, em particular de um imigrante senegalês,  ofereceu o único auxílio que podia naquele momento, um abraço, lembram-nos a importância dos valores humanitários. Naquele momento, em que todas as barreiras se romperam num abraço,  falaram mais forte os valores que nos unem nas nossas diferenças, para além de todas e quaisquer manifestações de alas extremistas, cujo único objetivo é fomentar o ódio e a discriminação.

São estes profissionais – estas pessoas – e este tipo de atos que nos dão a esperança de que, em conjunto, seremos capazes de ouvir o grito de socorro destas pessoas e de exigir e levar a cabo a ação política necessária para que a migração nestas condições deixe de ser uma realidade. A Europa tem diante de si um desafio ao qual não pode continuar a fechar os olhos e para o qual é preciso que os decisores políticos de todo o mundo tenham o mesmo sentido de responsabilidade e sentimento de empatia que vemos diariamente nestes socorristas e de quem põe a defesa da vida digna acima de si próprio. 

*Deputada do partido político português Pessoas-Animais-Natureza (PAN)

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