Maputo acolhe escritório de segurança marítima com África do Sul e Tanzânia (UNODC)

Maputo acolhe escritório de segurança marítima com África do Sul e Tanzânia (UNODC)

Moçambique, África do Sul e Tanzânia devem juntar-se este ano num órgão conjunto de segurança marítima com sede em Maputo e com o apoio técnico do Escritório das Nações Unidas para a Droga e Crime Organizado (UNODC)

“Já temos tudo”, incluindo “um orçamento dedicado”, pelo que “este ano é decisivo”, referiu à Lusa César Guedes, o representante do UNODC na capital moçambicana.

Os três países assinaram um memorando de cooperação no âmbito da segurança marítima em 2018, mas os calendários eleitorais em cada país dificultaram desenvolvimentos, que devem acontecer agora: “Esta cooperação vai ser relançada”, confia César Guedes.

A assistência tem o apoio do Japão, Estados Unidas da América, França, Alemanha e União Europeia, que são parceiros-chave não só para o “orçamento dedicado” da parceria trilateral, mas também para ações em todo o oceano Índico.

O próprio projeto de segurança marítima da UNODC vai ser reforçado com dois especialistas em Maputo.

“Moçambique vai ter um escritório” de estratégia, recolha e troca de informações entre as Marinhas dos três países, onde cada um vai ter um perito, juntamente com os da UNODC, descreveu. 

Tudo para reforçar o patrulhamento e segurança ao largo das três costas contíguas – de norte para sul, Tanzânia, Moçambique e África do Sul – do sudoeste do oceano Índico, incluindo o Canal de Moçambique.

A costa moçambicana tem sido referenciada como um ponto de passagem importante na rota mais a sul da droga que sai do Afeganistão com destino ao hemisfério norte.

Entre as recentes apreensões contam-se 444 quilos de metanfetaminas e heroína, droga num valor superior a 40 milhões de euros, apanhada no final de janeiro pela marinha francesa no Canal de Moçambique, onde França tem algumas ilhas.

“Nenhum país pode enfrentar estas dinâmicas sozinho”, destacou César Guedes, pela dimensão internacional que têm e pelos recursos sofisticados já utilizados pelas redes criminosas.

César Guedes reafirmou na entrevista à Lusa, tal como já havia referido em 2020, que a insurgência armada em Cabo Delgado é sinal de que a região é apetecível para os traficantes passarem a droga oriunda da Ásia e destinada ao hemisfério norte.

As autoridades moçambicanas apontam também no sentido dessas cumplicidades: no final de 2020, o Ministério Público acusou 12 iranianos detidos em dezembro de 2019 numa embarcação com armas, ao largo daquela província, de pretenderem apetrechar os rebeldes.

“Temos de estar vigilantes”, referiu César Guedes, sublinhando a necessidade de cooperação entre os países que partilham a mesma linha de costa do Índico.

“Se um país tem um desafio deste nível, os vizinhos vão sofrer também. Então, é do interesse regional ter um país como Moçambique mais fortalecido e com recursos técnicos” para enfrentar a ameaça, concluiu.

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