Carlos do Carmo: "As histórias de faca e alguidar do fado fascinavam-me" - Plataforma Media

Carlos do Carmo: “As histórias de faca e alguidar do fado fascinavam-me”

Tinha prometido que me daria a última entrevista. Cumpriu. No dia 19 de novembro de 2020 , às três em ponto, subi para o apartamento de Carlos do Carmo na Avenida dos Estados Unidos, em Lisboa.

Uma empregada abriu-me a porta. O Carlos apareceu logo de seguida. Tinha-me pedido para não levar fotógrafo. Percebi. Estava fragilizado, embora bem disposto e extremamente lúcido. Ficámos duas horas à conversa, frente a frente, com uma pequena mesa pelo meio. Saí da entrevista duas horas depois. Obrigado, Carlos.

19 de novembro de 2020, 15.10, na casa do artista, na Avenida dos Estados Unidos.

O Carlos vai para a Suíça estudar com 17 anos. Nessa altura não estava próximo do fado.
Não estava, mas o Freud pode explicar isso melhor do que eu. O fado não me era uma coisa estranha. Também me fazia viver memórias de infância. Na pré-adolescência, ia com os meus pais às verbenas ouvir os velhinhos todos. Aquelas histórias de faca e alguidar fascinavam-me porque eu era criança e estava a ouvir uma história. Quando cheguei da Suíça vinha armado em snob. Só depois é que o fado entrou na minha vida.

Na Suíça convivia com outras músicas…
No colégio fazíamos os nossos jogos de futebol, de basquetebol, e por lá passaram músicos. Por exemplo, o Francis Hime. Tocava maravilhosamente acordeão, tinha os dedos amarelos de fumar, faltava às aulas. Ele queria era tocar. E estava no último andar da casa onde eu vivia. E eu lá ia para cima cantar coisas com ele.

Foi aí que começou a cantar?
Sim, mas com aquele prazer quase lúdico. Gostei sempre de ouvir os craques, os tipos que cantam muito bem, este, aquele e aqueloutro. A música francesa estava muito na berra. Mas a primeira vez que ouvi o Tony Bennet, na Suíça, fiquei absolutamente desvairado. Este colégio tinha uma coisa interessante. Xis vezes por ano íamos à cidade para um concerto. Podia ser o Andre Segovia, o Ritcher ao piano… Íamos ouvir grandes músicos. E era excelente. Fez bem. Você começa a sentir que a música é uma coisa tão vasta, tão vasta que se sente uma formiguinha. E é bom essa lição de humildade.

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