Acesso à eletricidade em África vai recuar pela primeira vez em sete anos - Plataforma Media

Acesso à eletricidade em África vai recuar pela primeira vez em sete anos

 O acesso das pessoas à eletricidade no continente africano irá diminuir em 2020, pela primeira vez em sete anos, devido à crise da covid-19, alertou hoje o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE)

“Monitorizamos ano após ano o número de pessoas com acesso à eletricidade em África, e vemos, pela primeira vez [em anos] que o número de pessoas sem acesso vai aumentar. Este número tem vindo a diminuir nos últimos sete anos, mas irá aumentar este ano, o que é preocupante”, afirmou Fatih Birol, em entrevista com a AFP, por ocasião de um fórum ministerial virtual coorganizado com a União Africana que hoje decorre.

O responsável considerou ainda que, embora a pandemia não tenha afetado o continente tanto como outras partes do mundo, as economias africanas foram duramente atingidas e, de acordo com os números da AIE, o rendimento per capita diminuiu cerca de 6% este ano. “Isto conduzirá a grandes problemas de endividamento e, em alguns casos, talvez a incumprimentos para alguns países”, disse.

“Esta situação grave reflete-se, evidentemente, no setor da eletricidade” e junta-se a “outra má notícia”: o investimento no setor da energia deverá diminuir 30% este ano, anunciou o diretor executivo da AIE.

“Isto deve-se principalmente ao facto de os governos terem outras prioridades e, para os investidores, o aumento do risco nestas economias – particularmente na África subsaariana – aumenta o custo do financiamento. Assim, o apetite dos investidores está a desaparecer”, explicou.

Perante este cenário sombrio, a nota de esperança provém da energia solar. “A energia solar está a tornar-se barata em todo o mundo. Os nossos números mostram que o solar é a fonte mais barata de produção de eletricidade em quase todo o lado”, contextualizou Fatih Birol.

África recebe 40% da radiação solar do mundo e utiliza apenas 1% da energia solar que chega ao planeta. A capacidade instalada nos Países Baixos é de 5 GW, o equivalente a toda a África subsaariana, ilustrou o responsável. “Isto mostra o enorme potencial que existe”, sublinhou.

As razões para investir no solar africano não são apenas “humanitárias”, mas podem também resultar em “retornos significativos do investimento”. “É por isso que nos estamos a reunir com os ministros e a tentar encontrar um quadro de investimento para tornar o investimento em África menos arriscado e proporcionar terreno fértil para os investidores de todo o mundo”, acrescentou.

As economias dos países como a Nigéria, Angola, Argélia e outros, fortemente dependentes das receitas petrolíferas vão enfrentar problemas graves nos “próximos anos”, prevê a AIE. “Tenho más notícias (…): não esperamos que a procura de petróleo aumente muito nos próximos anos. E os preços do petróleo também serão bastante baixos, pelo que as receitas serão certamente muito afetadas”, disse o diretor executivo da agência.

Portanto, este é um bom momento para os governos destes países diversificarem as economias e os seus sistemas energéticos. “É aquilo em que vamos trabalhar com todos estes países”, anunciou.

Fatih Birol “lembrou” ainda que “estes países têm uma enorme oportunidade de utilizar outras fontes de energia, como a solar – novamente -, mas também, em alguns casos, o gás natural. Podem precisar de gás, para além das energias renováveis, para gerir o setor industrial”, concluiu.

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