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Pisando o limite

Num discurso inesperado, Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, afirmou que os EUA nunca consideraram Taiwan parte da China, e que a venda de armas a Taiwan está a cumprir uma promessa anterior entre as duas partes.

Em entrevista a uma rádio local, o secretário de Estado afirmou também que os EUA continuam a seguir as políticas relativas a Taiwan criadas por Reagan há 35 anos, tendo desde então o país deixado de considerar Taiwan parte da China. Pompeo alegou que tanto o Partido Democrata como o Republicano estão em consenso nesta afirmação, acrescentando que a China deve cumprir a promessa para com o povo de Taiwan. Estas declarações surpreendentes de Pompeo vieram pôr em causa os Três Comunicados entre a China e os EUA e destruir toda a diplomacia entre os dois, provando que o Governo de Trump e o departamento de Estado entraram num estado de loucura. 

A China, recentemente, tem evitado responder a Pompeo, porém, estas chamadas de atenção desesperadas pisaram o limite, e o Governo chinês no dia 13 de novembro emitiu uma resposta, através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros: “Temos prestado atenção a todas as reações nacionais e internacionais aos resultados das últimas eleições presenciais dos EUA. Respeitamos a escolha do povo americano e congratulamos Joe Biden e Kamala Harris pela vitória”.

Esta foi a primeira vez que a China felicitou um presidente-eleito, como forma de afirmar que não irá mais reconhecer o Governo de Trump. Wang Wenbin acrescentou ainda que as más intenções de Pompeo são já de conhecimento público há muito tempo. “Alertámos Pompeo e outros de que qualquer interferência em assuntos internos chineses que ponha em causa diretamente os interesses da China será sempre combatida. Nada se irá opor à luta histórica pela reunificação chinesa”, assinalou.

O princípio de uma única China é a base da diplomacia sino-americana. Pompeo, ao atacar o país em vésperas de desemprego recebeu uma resposta naturalmente pouco cordial da China, brincando com Pompeo e Trump ao felicitar Joe Biden pela vitória e ficando com a última palavra. 

Antes da China já outros países como o Reino Unido, França, Alemanha e Japão tinham reconhecido Biden como vencedor. Se o resto do mundo está a reconhecê-lo como presidente-eleito, significa então que a administração de Trump e Pompeo está quase a chegar ao fim. 

‭* ‬Editor Senior

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