Início » Brasil concede a primeira Indicação Geográfica a produto de reserva indígena

Brasil concede a primeira Indicação Geográfica a produto de reserva indígena

O Governo brasileiro concedeu ao guaraná produzido pela etnia Sateré-Mawé, na Amazónia, o selo de Indicação Geográfica, o primeiro concedido a uma reserva indígena no país, informaram hoje fontes oficiais.

Tanto o waraná (guaraná), quanto o pão waraná que os Sataré-Mawé produzem na Terra Indígena Andirá-Marau, uma reserva localizada entre os estados do Amazonas e Pará, no norte do Brasil, podem ser comercializados mundialmente, a partir de agora, com uma etiqueta que os identifica como produtos com proveniência registada.

O guaraná, uma fruta típica da Amazónia, é rico em substâncias funcionais como cafeína, teobromina e teofilina, pelo que é comercializado em pó, xarope ou bebidas como um produto energético, estimulante, antioxidante e até afrodisíaco.

O seu derivado mais popular é um refrigerante produzido a partir de cultivos comerciais na Amazónia, amplamente distribuído no Brasil e exportado para outros países.

O Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) do Brasil reconheceu esta semana a Terra Indígena Andirá-Marau como Indicação Geográfica (IG), na modalidade de Denominação de Origem (DO), para os dois produtos extraídos dessa reserva.

No processo diante do órgão de propriedade intelectual, os Sataré-Mawé demonstraram que o guaraná nativo da sua reserva possui características únicas graças ao ecossistema local e ao “saber-fazer” específico com que cultivam e colhem o produto.

“Além de ser um reconhecimento muito importante para o povo indígena Sateré-Mawé, pela sua história de domesticação da planta do guaraná e pela sua produção ímpar, que guarda cultura, tradição e saber fazer, trata-se de uma conquista para todo o país”, disse a coordenadora de Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários do Ministério da Agricultura, Débora Gomide.

“É um produto 100% brasileiro, reflexo da riqueza de nosso povo, da nossa tradição e da nossa biodiversidade”, acrescentou Débora Gomide, citada num comunicado da tutela da Agricultura, que apoiou durante os últimos 10 anos o processo para a concessão do selo de Indicação Geográfica.

Além de ter financiado os estudos para a identificação do potencial da reserva, o Ministério, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), contratou uma consultoria para o desenvolvimento de ações de sensibilização, apoiou a emissão do instrumento oficial de delimitação da área e ofereceu suporte aos indígenas no seu pedido de registo no INPI.

O cultivo do guaraná na reserva é feito de forma artesanal por pequenos produtores, que desidratam e defumam os grãos até produzirem um bastão de guaraná com cor, aroma, sabor e consistência únicos.

Os produtores da reserva proíbem o cultivo de plantas produzidas por clonagem ou variações genéticas, o que, segundo o INPI, “garante a conservação e adaptação genética do guaraná no seu ambiente natural”.

Dessa forma, acrescenta o Instituto, a Terra Indígena Andirá-Marau constitui-se como “o único banco genético ‘in situ’ de guaraná no mundo”.

A Indicação Geográfica é um rótulo que oferece a um produto um selo próprio por ter uma origem geográfica específica e características únicas, e serve para lhe dar valor acrescentado, protegê-lo da concorrência desleal e permitir que consumidores e comerciantes o reconheçam e confiem na sua qualidade.

De acordo com estudo da FAO, rótulos que indiquem a origem geográfica dos alimentos podem aumentar o preço final em até 50%.

O Brasil já concedeu o registo de 72 Indicações Geográficas, das quais apenas oito na região amazónica e apenas uma para reserva indígena.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website