Início » Medidas sociais? Para ricos ou para fazer de conta…

Medidas sociais? Para ricos ou para fazer de conta…

Hugo CarvalhoHugo Carvalho*

Vai começar a discussão do Orçamento do Estado e o padrão de comportamento está estabelecido: o PCP e BE vão suportar outro ano de governação socialista, e vão deixar os assuntos em que supostamente seriam implacáveis para projetos de resolução com que se vão entreter durante a sessão legislativa. Infelizmente não estou a inventar nada e os exemplos dos últimos anos falam por si, sendo um dos principais a discussão sobre as propinas.

O PS começou por anunciar que as propinas nunca mais poderiam subir: congelou-se o seu valor máximo, e portanto permitiu-se a todas as Instituições de Ensino Superior (IES) que aumentassem as suas propinas na mesma, como de resto aconteceu nesse mesmo ano.

Seguiu-se a redução do seu valor, feita com a mesma dose de habilidade: o Governo colocou verba suplementar no orçamento para compensar as IES pela descida pontual (que até hoje não transferiu), em vez de alterar a Lei de Bases do Financiamento das mesmas para que constasse em lei a redução permanente do valor da propina.

E todos os anos o PCP se declara historicamente contra as propinas, o BE diz sempre foi, o PS acha que sim (mas pensa que não) e não há ano em que não se aprove orçamento e não haja projeto de resolução de seguida para as eliminar. Dá mesmo vontade de perguntar: alguém assume a culpa? Ou é só mesmo para gozar com os estudantes?

Há uma coisa que tem de ser dita: reduzir as propinas para todos os estudantes não reduz as desigualdades. Agrava-as! No ano letivo de 2018/19, o Governo aplicou 35 milhões de euros do OE para reduzir a propina em 196€ a todos os estudantes. 
Existem muitos estudantes que não têm possibilidade de pagar a propina, é certo. Mas também existem muitos estudantes que as conseguem pagar. A lógica de reduzir para todos está apenas a beneficiar quem pode pagar, reduzindo um pouco a carga de quem não pode.

Se se pretendesse, de facto, reduzir a desigualdade na frequência do Ensino Superior, estes milhões de euros deveriam ter sido aplicados no Sistema de Ação Social Escolar, para dar mais e melhores bolsas aos estudantes que não podem pagar propinas, deveriam ter sido aplicados no verdadeiro problema que é a falta de alojamento estudantil e poupar muito mais por mês a quem precisa do que se poupa a todos por ano medidas deste género.

“Em Portugal querem acabar com os ricos? No meu país queremos acabar com os pobres…” Foi o que Olof Palme disse a Otelo Saraiva de Carvalho no pós-25 de abril, há muitos anos atrás. Décadas depois, a esquerda portuguesa continua com a mesma agenda (que nem para si é boa), mas já nem vontade de a concretizar parece ter.

*Deputado do Partido Social Democrata português

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website