Cabo Delgado: "UE tem prioridades mais importantes na segurança"

Cabo Delgado: “UE tem prioridades mais importantes na segurança em África”

O analista Andrew Tchie, especialista em segurança do Instituto Real de Serviços Unidos (RUSI) britânico avisa que o problema do terrorismo em Moçambique não será a principal prioridade da União Europeia (UE) em África tendo em conta os conflitos noutros países.

“A principal ameaça para a segurança da UE é o Sahel porque vê a região como um problema de migração e receia o aumento do terrorismo inter- fronteiras. Moçambique é importante, mas não vai ser tão importante como Mali ou Niger ou Burkina Faso. Está atrás na fila”, disse à agência Lusa.

Tchie comentava o pedido de apoio pelo Governo moçambicano à União Europeia (UE) na logística e no treino especializado das suas forças para travar as incursões armadas de grupos classificados como terroristas em Cabo Delgado, no norte do país.

O pedido consta de um ofício a que a Lusa teve acesso datado de dia 16 e que foi enviado ao Alto-Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, pela chefe da diplomacia moçambicana, Verónica Macamo.

Tchie disse que a iniciativa de Maputo terá sido um resultado de uma reunião recente da SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral], quando foi discutida a falta de meios e capacidade dos países da região para intervirem.

“Houve pressão para o governo moçambicano abrir a mentalidade e procurar potenciais parceiros, como por exemplo a União Europeia, para ajudar nas operações”, adiantou.

O RUSI abordou na quinta-feira, num seminário virtual, a crescente violência regional no contexto da fragilidade política dos governos, desigualdade económica e problemas decorrentes de conflitos históricos na África Ocidental.

Nos últimos anos, aquela região registou um aumento no extremismo violento, níveis crescentes de insatisfação popular como resultado da má governação, o impacto negativo das mudanças climáticas, um aumento do crime organizado internacional e mudanças no tipo de conflitos locais entre comunidades.

Grupos como Boko Haram, Estado Islâmico (IS), Ansa Din e al-Qaida têm protagonizado a violência terrorista no Sahel, Saara e Grandes Lagos.

Em Moçambique, a província de Cabo Delgado, no norte do país, tem sido alvo de ataques por grupos armados desde outubro de 2017, que já causaram a morte de, pelo menos, 1.059 pessoas em quase três anos e 300.000 deslocados internos, além da destruição de várias infraestruturas.

A província costeira é onde estão a ser desenvolvidos megaprojetos de exploração de gás natural.

Os ataques já foram reivindicados por um grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, mas as verdadeiras intenções continuam por esclarecer, embora investigadores apontem não só para atividades terroristas, mas também fatores internos, incluindo étnicos e sociais.

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