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Como as pequenas ilhas de Palau estão no centro da competição entre os EUA e a China

O secretário da Defesa norte-americano, Mark Esper, realizou hoje uma visita inédita ao Palau, arquipélago com 20 mil habitantes, ilustrando a importância de todas as peças na disputa entre China e Estados Unidos pelo domínio do Pacífico.

Esper voou esta semana meio mundo para visitar o Palau, que fica a sudeste das Filipinas.

Não há sinais de uma ameaça militar chinesa direta ao Palau, mas o país insular constitui um exemplo de como mesmo as mais pequenas peças assumem relevo no xadrez geopolítico disputado entre China e Estados Unidos pela posição de “grande potência”.

A luta pelo poder está a intensificar-se em várias frentes e é vista por alguns analistas como uma nova Guerra Fria, semelhante ao conflito entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, até ao colapso do comunismo na Rússia, em 1991.

Num desafio para Pequim, o minúsculo Palau assume uma postura pró-americana, sendo um dos 15 Estados no mundo que mantém relações diplomáticas oficiais com Taiwan, a ilha que funciona como entidade política soberana contra a vontade de Pequim, que a considera uma província chinesa.

“Estamos preocupados com o facto de a China continuar a pressionar os países que reconhecem Taiwan para que estabeleçam antes relações diplomáticas com a China”, disse Heino Klinck, vice-secretário adjunto da Defesa para o leste da Ásia.

“Achamos isso desestabilizador, francamente”, apontou.

Os Estados Unidos fizeram essa mesma mudança quando reconheceram Pequim como o único governo legitimo de toda a China, em 1979, embora Washington mantenha relações não oficiais com Taiwan e venda armas a Taipé.

De forma mais ampla, Klinck disse que Esper quer reforçar o compromisso dos EUA de um relacionamento de longo prazo com o Palau.

Forças Armadas

“Um pequeno país, talvez, mas que se destaca nas taxas de alistamento nas Forças Armadas dos EUA”, disse Klinck, acrescentando que seis palauenses foram mortos com o uniforme dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

Segundo o Compact of Free Association, assinado em 1994, os palauenses são elegíveis para servir nas forças armadas dos EUA.

Washington rejeita as reivindicações territoriais chinesas no Mar do Sul da China – um de vários pontos de tensão nas relações entre as duas maiores economias do mundo.

Os dois países enfrentam já uma prolongada guerra comercial e tecnológica. No mês passado, os EUA ordenaram o encerramento de um dos consulados chineses no seu território, por alegado uso das instalações diplomáticas na coordenação de operações para usurpação de segredos económicos e científicos.

A China vê as políticas dos EUA como uma campanha para limitar a sua ascensão como potência económica e militar.

Navios de guerra norte-americanos e chineses muitas vezes disputam posições no Mar do Sul da China.

Em julho passado, a administração de Donald Trump elevou a disputa para um novo nível ao declarar ilegítimas quase todas as reivindicações marítimas da China, numa declaração que favorece as Filipinas, Vietname, Taiwan e Brunei.

Esper voou para Palau esta semana após uma escala no Havai, para a sua primeira visita à região da Ásia-Pacífico desde que a pandemia do novo coronavírus forçou a limitação de deslocações internacionais, em março passado.

Mark Esper (ao centro) foi o primeiro secretário de Defesa dos EUA a visitar o arquipélago de Palau

Palau fica numa rota do Pacífico Norte que liga as forças dos EUA estacionadas no Havai e Guam a potenciais pontos de acesso no continente asiático.

Esper tem também uma visita planeada a Guam.

Tratou-se da primeira visita de um secretário de Defesa dos EUA ao arquipélago de Palau.

Randall Schriver, que até há oito meses era o responsável máximo do Pentágono pela política para a Ásia, disse que o Palau é uma paragem lógica para Esper, já que a China passou a ser a maior preocupação para a política externa e de Defesa de Washington.

“Isto reflete a competição cada vez maior” e os esforços de Pequim para exercer maior influência nas ilhas do Pacífico Norte, disse Schriver, citado pela agência Associated Press.

Apoio no meio da tensão

A visita de Esper é um gesto de apoio a um pequeno país que está a sentir a tensão do que Washington chama de “economia predatória de Pequim”.

Em 2018, Pequim proibiu efetivamente grupos de turistas chineses de visitar o Palau, cujas receitas do turismo dependem da China.

A medida foi vista em Palau como uma forma de pressionar os seus líderes a parar de reconhecer Taiwan e estabelecer laços com Pequim.

Em fevereiro passado, ao explicar a abordagem dos EUA para a China, Esper destacou a sua preocupação com os países mais pequenos.

“A China comunista está a exercer pressão financeira e política, pública e privadamente, sobre muitas nações do Indo-Pacífico e europeias – grandes e pequenas – enquanto procura novas relações estratégicas em todo o mundo”, disse.

“Na verdade, quanto menor o país, mais pesada é a mão de Pequim”, descreveu.

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