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Brasil tem milhões de estudantes digitalmente excluídos e sem atividade

Vicente Vilardaga e Mariana Ferrari

Alguns dos principais pesquisadores do Brasil dizem que é preciso desenvolver novas modalidades de ensino híbrido, combinando atividades presenciais e não presenciais. O maior problema, porém, é que no Brasil há milhões de estudantes digitalmente excluídos, que estão, no momento, sem qualquer atividade escolar.

Não, ainda não é hora de voltar às aulas. O risco de contágio pelo coronavírus continua altíssimo. Mas como será o futuro? Como ficará o processo de aprendizado? Estamos perdendo tempo? Alguns dos principais pesquisadores do assunto no País dizem que para sair dessa enrascada educacional e pavimentar uma retomada sólida nos próximos meses, será preciso desenvolver, daqui para frente, novas modalidades de ensino híbrido, que combina atividades presenciais e não presenciais. O maior problema, porém, é que no Brasil há milhões de estudantes digitalmente excluídos, que estão, no momento, sem qualquer atividade escolar.

A pandemia e o isolamento social colocaram a educação num impasse. Ou ela se transforma, porque o velho mundo acabou, ou ela não vai mais funcionar. As coisas nunca mais serão como antes e é preciso recuperar o tempo de aprendizado que está sendo perdido e estabelecer uma estratégia de retomada. É um momento de alta tensão, mas há luz no horizonte. Será necessário um trabalho duro e capacidade inovadora para superar as consequências do isolamento prolongado e oferecer para as crianças e adolescentes novas perspectivas de ensino. A volta das atividades presenciais está se iniciando em algumas cidades e, em outras, existe muita incerteza e preocupação sobre um eventual retorno. Mas independentemente do momento da retomada, o ensino, daqui para frente, se tornará cada vez mais híbrido, combinando atividades presenciais e não presenciais.

O problema é que no Brasil há uma desigualdade gritante e milhões de alunos de todos os níveis estão excluídos digitalmente. Calcula-se que um quinto dos estudantes brasileiros estejam, hoje, sem realizar qualquer atividade escolar. O desafio que se tem pela frente é mundial e tão grave, que, há duas semanas, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que o mundo está diante de uma “catástrofe geracional” por causa da interrupção ou da precarização das aulas em todo o mundo. Segundo Guterres, até meados de julho, as escolas estavam fechadas em 160 países, afetando diretamente mais de 1 bilhão de estudantes. Pelo menos 40 milhões de crianças perderam a pré-escola neste ano. “Agora, encaramos uma catástrofe geracional que pode desperdiçar incontável potencial humano, prejudicar décadas de progresso e exacerbar desigualdades entrincheiradas”, disse o secretário-geral da ONU, ao lançar a campanha “Salve nosso Futuro”. “Assim que a transmissão local de Covid-19 estiver sob controle, colocar os alunos de volta às escolas e instituições de ensino, com o máximo de segurança possível, precisa ser uma prioridade”, disse. Apesar de prioritária, não há consenso de quando e de que forma ela deve ser feita. Tudo depende da evolução da pandemia. E, por enquanto, o risco é alto e não vale a pena arriscar. Pesquisa do Instituto Datafolha mostra que 79% da população são contra uma abertura precipitada.

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