Professora chinesa diz que Xi Jinping é um "líder mafioso" - Plataforma Media

Professora chinesa diz que Xi Jinping é um “líder mafioso”

A professora chinesa reformada Cai Xia, expulsa do Partido Comunista da China (PCC) na segunda-feira, descreveu o Presidente do país, Xi Jinping, como um “líder mafioso” e assegurou que “há cada vez mais vozes críticas” dentro do partido

Cai Xia foi expulsa do PCC por “prejudicar a reputação do país”.

Numa entrevista à Radio Free Asia (RFA), a professora de 68 anos afirmou que agora está nos Estados Unidos e disse que, se eventualmente voltasse para a China, seria colocada numa prisão.

A professora mostrou-se aliviada por “parar de trabalhar com os ‘gangsters’ do PCC”.

Cai Xia afirmou que “a ideia de mudar a liderança atual é comum entre muitas pessoas”, mas que é difícil “devido ao controlo totalitário que existe agora. Todos estão em perigo”.

A professora foi expulsa do PCC na segunda-feira e perdeu a pensão que recebia da Escola Central, onde milhares de líderes são formados a cada ano e onde Cai Xia ministrava aulas.

A Escola assegurou que a expulsão ocorreu devido aos seus discursos “de natureza extraordinariamente execrável”, que “violam gravemente a disciplina do partido e prejudicam a reputação do país”.

Na entrevista à RFA, Cai não recuou e disse: “Quando um país se engana em questões importantes, o partido deve ser responsabilizado e os seus líderes devem assumir a responsabilidade”.

“O problema com o PCC é que Xi tem sempre a decisão final. Eu disse que Xi é como o chefe de uma máfia porque não há transparência e nenhum mecanismo para tomar decisões. Quando opiniões discordantes como a minha aparecem, simplesmente expulsam-te e cancelam a tua pensão”, declarou a professora.

Cai Xia acrescentou que houve “tentativas de reforma política” no passado, no início dos anos 2000, mas que acabaram por desaparecer assim que Xi concorreu ao poder, que acabou por conquistar em 2013.

“O espaço de debate foi-se estreitando aos poucos”, afirmou, citando como exemplo que várias iniciativas do PCC para pedir a opinião de investigadores e académicos acabaram por terminar.

A professora também referiu que as suas críticas se intensificaram após a morte em fevereiro deste ano do médico Li Wenliang, que foi repreendido por “espalhar boatos” ao alertar os seus colegas sobre uma possível nova doença, quando o surto de coronavírus começou na cidade de Wuhan.

“Então veio a lei de segurança nacional para Hong Kong. Fiquei muito chateada e escrevi um texto crítico dizendo que o PCC estava a ser hostil. As decisões de Xi são ridículas. A Escola então ligou-me e eu confirmei que sim, tinha dito isso”, sublinhou.

“Na China pode-se criticar o PCC, mas não se pode dizer que Xi não é bom”, acrescentou Cai, para quem a decisão de eliminar o limite de dois mandatos presidenciais da Constituição aprovada em 2018 pelo legislativo chinês “não foi apenas um erro, foi, até certo ponto, um crime”.

Porém, a professora disse que neste momento é “praticamente impossível” que Xi seja retirado do poder. “Ele quebrou o PCC. Não há troca de opiniões. Todos são monitorados, as interações sociais não são permitidas. Eles querem que todos fiquem em casa a fazer relatórios”, afirmou

Cai também expressou apoio ao empresário do setor imobiliário Ren Zhiqiang, que está desaparecido e presumivelmente enfrentará acusações de corrupção por críticas semelhantes.

“Ninguém o viu desde que foi detido. Estou muito preocupada com ele”, disse a professora.

Em abril deste ano, a Comissão de Inspeção Disciplinar, o órgão anticorrupção do Partido Comunista da China, abriu uma investigação contra Ren por um artigo no qual o empresário criticava a suposta ocultação inicial dos primeiros estágios do surto do novo coronavírus e a progressiva acumulação de poderes de Xi.

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