Quatro milhões de angolanos que só tinham cartão de eleitor vão passar a ter Bilhete de Identidade- Plataforma Media

Quatro milhões de angolanos que só tinham cartão de eleitor vão passar a ter B.I.

Os cidadãos angolanos detentores apenas do cartão de eleitor, emitido no registo eleitoral de 2017, como documento de identificação, poderão ter acesso ao bilhete de identidade, saindo da condição de apátridas

A medida consta da proposta de alteração do Regime Jurídico da Identificação Civil e Emissão do Bilhete de Identidade de Cidadão Nacional, aprovada hoje, na generalidade, na Assembleia Nacional, com 133 votos a favor, 41 contra e oito abstenções.

O documento passou com votos a favor do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), votos contra da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), da Convergência Ampla de Salvação de Angola–Coligação Eleitoral (CASA-CE), do Partido de Renovação Social (PRS) e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e abstenção de deputados não integrados em grupo parlamentar.

O secretário de Estado para a Justiça, Orlando Fernandes, sublinhou a convergência na necessidade de se resolver o problema dos quatro milhões de cidadãos angolanos que possuem cartão de eleitor sem bilhete de identidade.

Orlando Fernandes, que respondia às várias preocupações, receios e riscos levantados pelos deputados na discussão da lei, nomeadamente a alegada obtenção de forma fraudulenta dos cartões de eleitor, disse que não seria proporcional nem justo que se mantenham estes milhões afastados da cidadania.

“São pessoas que vivem na sua pátria, numa verdadeira condição de apátridas, são pessoas que efetivamente serviram para votar, mas não conseguem exercitar os demais direitos e deveres que resultam da cidadania”, frisou.

O governante angolano considerou justos os receios, salientando que “este é um processo que naturalmente terá os seus riscos, mas residual”.

O secretário para a Justiça frisou que os riscos estão ponderados, acautelados, lembrando que um processo similar foi praticado em 1975, com os combatentes que atuaram na luta de libertação.

“Não traziam bilhete, registo civil e houve que resolver este problema. Em 2002, com a paz alcançada, também teve de se resolver este problema, portanto, existe algum ‘know-how’ neste domínio”, garantiu.

Orlando Fernandes reafirmou que a intenção é de dar a nacionalidade aos angolanos e não aos estrangeiros, como receiam os deputados, tendo em conta a suposta atribuição de cartões eleitorais em 2017 a cidadãos estrangeiros.

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