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“Cibersoldados” ao serviço da China invadem as redes sociais com ameaças e propaganda

São como “guarda costas” no espaço virtual do regime de Xi Jinping. Através de perfis falsos nas redes sociais, ameaçam jornalistas por terem escrito artigos críticos de Pequim e mantêm viva a narrativa do Partido Comunista chinês sobre a pandemia da Covid-19 ou temas como Hong Kong ou Taiwan

O jornal espanhol El Mundo publica na edição desta terça-feira um artigo de fundo intitulado: “Os guarda costas da China no ciberespaço”. O artigo refere casos concretos de cidadãos chineses que são autênticos “cibersoldados” ao serviço de Pequim. Recorrem a perfis falsos e outros truques para fazerem ameaças a jornalistas e espalharem a propaganda do regime de Xi Jinping nas redes sociais.

O utilizador @lorochino21 será um desses cibersoldados. Apareceu no Twitter a 25 de fevereiro para criticar um artigo do jornal El Mundo sobre a censura da China em tempos de coronavírus. E escreveu o seguinte ao jornalista: “És uma marioneta atrasada e psicopata ao serviço dos teus amos dos Estados Unidos. Vê lá que a censura que dizes existir é tal que te escrevo no Twitter a partir de Xangai”.

Esta foi a mensagem mais suave das cinco que o desconhecido enviou ao jornalista, num castelhano perfeito. Também se dedicou a partilhar notícias elogios à gestão da China no Global Times, um dos diários do Partido Comunista chinês. Como não obteve qualquer resposta, prosseguiu com os insultos, sempre sob anonimato, através de e-mails ou mensagens privadas via Facebook, escreve o El Mundo.

Como explica o artigo, para fazer tudo isto, este alegado utilizador do Twitter, precisaria de uma VPN, o software que permite saltar a grande muralha digital da censura. Seis meses depois da mensagem enviada no Twitter já não há rasto do homem ou mulher que estava por detrás do @lorochino21.

Há dias no e-mail de outro jornalista caiu uma mensagem de um indivíduo que se identificou como Chenwell. Alegou que o coronavírus foi levado para Wuhan por rmilitares norte-americanos. Na sua mensagem enviou “links” para várias contas do Twitter e Facebook de utilizadores anónimos mas que partilhavam fotos com símbolos da China nos seus perfis, todos eles a comentarem a mesma teoria.

Curiosamente, essa teoria foi lançada em março por uma figura não tão anónima, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian. Zhao acusa o Exército dos Estados Unidos de ter levado o coronavírus para Wuhan durante os Jogos Mundiais Militares de outubro.

O porta-voz Zhao Lijian publicou um comentário com a sua teoria noTwitter, uma rede social que está proibida na China, à semelhança do Facebook, Instagram, Watsapp, Google, Youtube, Snapchat, Tumblr, Netflix…enfim e de todas as plataformas digitais norte-americanas.

Desde o início da pandemia da Covid-19 foram vários os políticos, diplomatas e cidadãos chineses anónimos que usaram as redes sociais ocidentais como o Twitter para atacar em vários idiomas jornalistas e outras personalidades que publicam comentários críticos sobre Pequim ou que põem em causa a origem da pandemia. Converteram-se nos “guarda costas” da China num ciberespaço vetado e censurado por Pequim, escreve o El Mundo.

Um diplomata veterano europeu que reside em Pequim chama-lhe ” a guerra da propaganda e da desinformação”. Na passada quinta-feira, um dos atos desta guerra partiu de um dos inimigos da China. O Google eliminou mais de 2500 canais de youtube vinculados à China como parte do seu esforço para eliminar a desinformação na plataforma de vídeos. Em junho foi o Twitter que eliminou mais de 173.000 contas da China que estavam a veicular “informação errada sobre a pandemia da Covid-19” e também sobre outros temas políticos como Taiwan ou Hong Kong.

“Se o Twitter realmente quer fazer a diferença, o que devia fazer era encerrar as contas que difamam a China”, comentou então o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

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