China adia pagamento da dívida de 77 países - Plataforma Media

China adia pagamento da dívida de 77 países

O governo chinês concordou em adiar o pagamento da dívida a um grupo de países de baixo rendimento, como parte do programa de alívio da dívida decidido pelo G20, que junta as 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia. O anúncio ocorre quando Angola está cortar nos embarques de petróleo destinados à China, carregamentos esses utilizados para o pagamento da dívida de Luanda a Pequim.

A China suspendeu o pagamento de dívidas de 77 países e regiões em desenvolvimento, disse Ma Zhaoxu, vice-ministro de Relações Exteriores, durante uma reunião do Conselho de Estado no passado domingo em Pequim. Em abril, o G20 concordou em conceder um alívio temporário da dívida para os países mais pobres do mundo, com a moratória em vigor desde o passado dia 1 de maio.

Além da suspensão do pagamento da dívida, a China prometeu atribuir dois mil milhões de dólares norte-americanos para ajudar outros países a responder ao impacto da pandemia de coronavírus, incluindo 50 milhões doados à Organização Mundial da Saúde, disse Ma Zhaoxu.

O ministro não forneceu, contudo, mais detalhes sobre os termos do alívio da dívida.

Em comunicado divulgado na semana passada, o Ministério das Finanças de Angola afirmou que, em consulta com o Fundo Monetário Internacional (FMI), decidiu tirar proveito da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) do G20. Luanda solicitou aos credores soberanos uma paralisação do serviço da dívida de empréstimos de outros governos.

Entretanto, Angola está cortar o número de cargas de petróleo destinados à China, numa tentativa de renegociar os termos desse pagamento para lidar com o impacto da pandemia do novo coronavírus e com a quebra do valor do petróleo, principal fonte de financiamento do Estado angolano.

Segundo a agência noticiosa Reuters, a Sinochem, estatal chinesa, receberia cinco cargas em julho, abaixo das sete ou oito habituais, enquanto o braço comercial da gigante chinesa Sinopec, chamado Unipec, não receberia nenhuma. A Unipec normalmente recebe de duas a três cargas reservadas para pagamento de dívidas.

“Os empréstimos em petróleo criam uma interdependência mais forte [entre credor e devedor] do que o financiamento tradicional. Essa tática de desviar cargas não é nova, como é visto noutros lugares”, explica David Mihalyi, analista económico do Instituto de Gestão de Recursos Naturais (NRGI, na sigla inglesa) à Reuters. 

Artigos relacionados
EconomiaMundo

G7 recebe 51% dos pagamentos de dívida dos países pobres e deve perdoar

Macau

Dívida milionária da Suncity coloca credores como acionistas maioritários

EconomiaMundo

Senado dos EUA apressa processo para evitar crise da dívida

Economia

Países do G20 chegam à COP26 com acordo tímido sobre o clima

Assine nossa Newsletter