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Cabo Verde, reserva da biosfera da UNESCO

As ilhas cabo-verdianas do Fogo e Maio deverão ser aprovadas ainda este ano como reservas mundiais da biosfera da UNESCO, esperando ganhar mais visibilidade e melhorar proteção dos ecossistemas com esse feito, disse hoje o ministro do Ambiente.

“Daqui alguns meses estaremos perante este acontecimento histórico. As ilhas do Maio e do Fogo juntar-se-ão às cerca de 700 reservas da biosfera existentes no mundo. Cabo Verde, pela primeira vez, vai passar a ter reservas mundiais da biosfera e juntar-se-á a mais 29 países no continente africano”, disse Gilberto Silva.

O ministro do Ambiente falava, na cidade da Praia, durante uma reunião de concertação sobre a estratégia nacional de implementação das reservas da biosfera da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) das ilhas do Maio e do Fogo.

Depois de um longo processo de quase 20 anos, Cabo Verde submeteu as candidaturas dessas duas ilhas em outubro de 2019 e em abril deste ano foram analisadas pelo Comité Consultivo Internacional para as Reservas da Biosfera (IACBR).

As candidaturas foram recomendadas para serem apreciadas e aprovadas na 32.ª Sessão do Conselho Internacional de Coordenação, que decorrerá em formato ‘online’ em outubro próximo.

Para o titular da pasta do Ambiente de Cabo Verde, a aprovação vai ser um “momento muito histórico” para o país, que terá muitas vantagens com a declaração da UNESCO.

“Vamos ter muito mais visibilidade do nosso país, maior visibilidade dos territórios das ilhas do Maio e do Fogo, vamos ter maior conservação dos ecossistemas e dos habitats que suportam toda a biodiversidade, a geodiversidade, a nossa cultura”, apontou Gilberto Silva.

O ministro disse que o país vai ainda manter a qualidade da paisagem e dos recursos naturais, aprofundar o consenso entre os objetivos de preservação ambiental e cultural e os do desenvolvimento económico.

Além do ministro da Agricultura e Ambiente, a reunião contou com as presenças dos ministros Adjunto do primeiro-ministro, da Cultura e Indústrias Criativas, dos presidentes das câmaras de Fogo e Maio e de organização não governamentais.

E foi presidido pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que aproveitou para agradecer o apoio técnico prestado há vários anos no processo de candidatura por Portugal, representado na cerimónia pelo embaixador em Cabo Verde, António Albuquerque Moniz.

“Agradecemos ao Governo português por todo o apoio técnico que deu à candidatura”, disse o chefe do Governo cabo-verdiano, esperando que os dois países continuem a trabalhar em conjunto nas fases seguintes, nas quais consta, por exemplo, a elaboração dos planos de ação das reservas.

Numa entrevista à agência Lusa em junho de 2017, o biólogo português António Abreu mostrou-se confiante na aprovação das candidaturas.

António Abreu, que há 13 anos, enquanto perito da UNESCO, fez a avaliação do potencial de uma candidatura cabo-verdiana à rede mundial de reservas da biosfera, regressou para ajudar a preparar os processos a submeter àquela agência das Nações Unidas.

Com mais de 25 anos de experiência nesta área, o biólogo português, que já preparou várias candidaturas de sucesso e esteve também do lado da avaliação, como especialista da própria UNESCO, não tem dúvidas de que a criação das reservas da biosfera nas ilhas do Maio e Fogo será uma realidade.

“As candidaturas vão ter sucesso. Não vamos propor nenhuma candidatura que não seja válida, sólida e competentemente elaborada. As candidaturas têm pernas para andar”, considerou o biólogo coordenador do processo.

António Abreu apontou o vulcão, o vinho e o café, bem como as aves gongon, os lagartos e uma série de pequenas plantas como elementos a valorizar na ilha do Fogo. No Maio destacou as potencialidades das tartarugas, a exploração do sal e a história.

Para o biólogo, as reservas de biosfera “não são reservas de passarinhos e plantinhas” e a atribuição do galardão da UNESCO é apenas o início de um processo.

“A partir daí as reservas vão entrar na rede mundial com mais de 600 reservas em 120 países”, disse na altura, assinalando que a participação nesta rede abre perspetivas de cooperação com outras reservas, de promoção da investigação e de procura de fundos internacionais.

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