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Universidades lusófonas alertam para o impacto da IA. Como se prepara o ensino superior para a transformação digital

A presidente da AULP defendeu em Macau que a inteligência artificial e a digitalização estão a transformar profundamente as universidades. O desafio, argumenta a associação, é garantir que a cooperação académica acompanha a velocidade da mudança tecnológica

Lusa - Macau

A presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) afirmou hoje (15) em Macau que as instituições de ensino superior lusófonas enfrentam “uma época de transformação profunda”, marcada pela inteligência artificial e pela digitalização.

“A inteligência artificial está a alterar a forma como produzimos, partilhamos e utilizamos o conhecimento, e a transformação digital redefine os processos de ensino, aprendizagem e investigação”, disse Astrigilda Silveira, na abertura do 35.º Encontro da AULP organizado em Macau.

Este encontro junta 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP) entre hoje e quarta-feira e coincide com o IV Fórum de Reitores da China, Macau e dos Países de Língua Portuguesa.

Sobre outro assunto, Silveira alertou também que as “alterações climáticas desafiam particularmente os pequenos Estados insulares, as regiões costeiras e as comunidades mais vulneráveis”, sublinhando que as universidades devem assumir-se como “líderes e promotoras da mudança”, formando profissionais “altamente qualificados e cidadãos comprometidos” com o desenvolvimento sustentável.

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“Nenhuma universidade, por mais forte que seja, conseguirá responder sozinha aos grandes desafios globais. Precisamos da ciência colaborativa, da rede de investigação, de partilhar infraestruturas, conhecimentos e talentos”, frisou a também reitora da Universidade de Cabo Verde.

A responsável destacou que os programas de mobilidade, as parcerias internacionais e os projetos de investigação colaborativa já demonstraram o valor acrescentado da associação, mas advertiu que os próximos anos exigem “mais ambição”.

Entre as prioridades, apontou o reforço da colaboração científica entre os membros, a internacionalização da produção científica em língua portuguesa, a aceleração da transformação digital e da transição energética, bem como a criação de mais oportunidades para estudantes e investigadores.

“A nossa língua é um património comum, mas é também um ativo estratégico, um instrumento de aproximação e uma plataforma para a construção de soluções globais a partir de realidades diversas”, afirmou, defendendo que o português deve continuar a afirmar-se como “língua da ciência, inovação e conhecimento”.

Apelou a que o “espírito de cooperação que caracteriza Macau” inspire os trabalhos e decisões da comunidade académica lusófona.

“Que daqui surjam novas ideias, novos projetos, novas parcerias e uma renovada ambição para os 40 anos da nossa Associação”, concluiu.

O evento contou também com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, que revelou que o modelo de linguagem de IA em português Amália será apresentado “este mês”.

Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português”.

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