Pansy Ho, a imperadora que se segue - Plataforma Media

Pansy Ho, a imperadora que se segue

O palco está montado para Pansy Ho tomar as rédeas da operadora de casinos Sociedade de Jogos de Macau (SJM), após a recente morte do pai, Stanley Ho, algo que só deverá acontecer quando o Governo anunciar as regras para as novas licenças de jogo, em vigor após 2022.

Foi de forma unida que as quatro famílias e 17 filhos de Stanley Ho Hung-sun anunciaram na semana passada a morte do magnata do jogo. Mas o primeiro teste a esta paz acontece já na próxima terça-feira, com a assembleia geral anual dos acionistas da SJM.

A trégua dura desde 2011, altura em que Stanley processou as famílias da segunda e terceira mulheres, Lucina Laam King-ying e Ina Chan Un-chan, por alegadamente terem tentado apoderar-se dos bens do magnata.

“O Stanley sempre pretendeu dividir os bens de forma igual por todos os filhos, mas houve uns que se tentaram antecipar”, disse ao Plataforma uma fonte com conhecimento do processo. “Ele foi convencido a assinar uns papéis sem perceber bem para que serviam, só que ainda teve cabeça para mais tarde se aperceber do que se passava”, acrescenta.

O Plataforma procurou confirmar este relato com Gordon Oldham, que representou Stanley durante a disputa familiar, mas o advogado de Hong Kong escusou-se a comentar, alegando “questões de confidencialidade”.

Segundo Ben Lee, sócio-gerente da consultora IGamiX Management e Consulting Ltd, a trégua de 2011 garantiu que Angela Leong On Kei, a quarta mulher de Stanley manteria a direção da SJM “pelo menos a médio-prazo”.

Palco montado

Foi Pansy Catalina Ho Chiu-king que anunciou a morte de Stanley e não por acaso. Ben Lee acredita que o acordo de 2011 prevê que seja a empresária de 57 anos a liderar a SJM, aquando das novas licenças de jogo.

O analista recorda que em Janeiro do ano passado Pansy e a família Fok estabeleceram uma aliança que controla 53 por cento da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), a companhia-mãe da SJM. Poucos meses depois, Pansy conquistou seis dos 10 lugares de direção da STDM, tendo nomeado as irmãs Maisy Ho Chiu-ha e Daisy Ho Chiu-fung.

“O palco está montado”, diz Ben Lee. Assim que Pansy decidir tomar conta dos destinos da SJM, “o resto dos acionistas estarão firmemente do lado dela”, prevê o veterano da indústria do jogo.

Nem todos os analistas estão tão otimistas. Numa nota divulgada na semana passada, a corretora Sanford Bernstein avisou que poderá ver-se “maior conflito interno entre as várias partes interessadas”.

Já os analistas do banco JP Morgan disseram que uma mudança de liderança é improvável, porque nenhuma concessionária de jogo quer “atrair atenções de forma desnecessária” antes da atribuição das novas licenças.

Além disso, na terça-feira Pansy passou a ter um papel mais ativo na rival MGM China, assumindo o cargo de diretora-geral, após a aposentação do homem forte da operadora norte-americana, Grant Bowie.

Ainda assim, uma fonte com conhecimento do processo disse ao Plataforma que Pansy irá mesmo tomar as rédeas da SJM, mas só depois de conseguir vender “em condições vantajosas” a participação de 22,49 por cento que detém na MGM China.

Barco sem rumo

A SJM tem “uma gestão inflexível” e está mergulhada “em disfunção” por tentar satisfazer diferentes interesses, defendeu a corretora Sanford Bernstein.

Uma opinião partilhada por Ben Lee. “As quatro famílias controlam diferentes partes do negócio. Desde que Stanley Ho abandonou a gestão ativa que a empresa não tem uma visão, uma direção”, diz o analista.

A SJM é um exemplo de como uma empresa chinesa pode listar-se em bolsa, mas manter a cultura de negócio de família, disse Adrian Lei Cheuk Hung ao Macau Business em 2018. “Muito donos ainda acham que podem simplesmente tirar diretamente o dinheiro da conta da empresa”, acrescentou o especialista em governança empresarial da Universidade de Macau.

Poucos meses antes, até Lawrence Ho Yau Lung, filho de Stanley e líder da operadora rival Melco Resorts & Entertainment, tinha apelando à SJM para “pagar dividendos maiores e comportar-se como uma empresa normal”.

Ben Lee acredita que a experiência de Pansy com “um estilo ocidental de gestão de casinos” e aposta em outras atrações além das mesas de baccarat seria positiva para a SJM.

Como presidente da Shun Tak Holdings, Pansy poderia integrar o conglomerado, com presença nos setores do imobiliário, hotelaria e transportes marítimos, no império da família Ho, diz o sócio-gerente da IGamiX. Afinal, ele espera que um “significativo investimento” no lado não-jogo seja uma das exigências do Governo para atribuir novas concessões a partir de 2022. 

Rivais para além da morte
O funeral de Stanley Ho Hung-sun irá decorrer no próximo mês, estando dependente da decisão de um mestre de “fong soi”, a geomância chinesa, diz a imprensa de Hong Kong. Mas nem assim será enterrado o machado da longa guerra entre o magnata do jogo e a irmã, Winnie Ho Yuen-ki, que faleceu em 2018.

Donna Yau Yuet Wah, advogada de Hong Kong e representante da família de Winnie, confirmou ao Plataforma que os herdeiros da empresária não desistiram dos muitos processos judiciais instaurados em Macau e em Hong Kong.

Winnie moveu mais de 30 processos pelo controlo de 7,3 por cento da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), a companhia-mãe da Sociedade de Jogos de Macau (SJM).

A empresária acusou Stanley de ter encenado o extravio do livro de registo de ações da STDM para a expulsar da empresa, após esta ter apoiado um filho na corrida às licenças de jogo em Macau, em 2002.

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