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“Fábrica do mundo” de volta

O Governo central enfrenta o desafio de controlar a epidemia e reativar a indústria.

No dia 18 de fevereiro, o comboio D4856 com trabalhadores de Yunnan chegou à estação de Cantão Sul. Foi o primeiro a chegar à província de Guangdong com trabalhadores da indústria de produção em Cantão e Foshan. Depois de quase três semanas com a indústria parada, o Governo prepara-se para reiniciar a atividade daquela que se tornou a “fábrica do mundo”. Ao mesmo tempo, bate-se para controlar a epidemia Covid-19.

O surto do novo coronavírus que se desenvolveu durante a época de Ano Novo Chinês fez com que o país fechasse a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, que conta com uma população de 11 milhões, e implementasse medidas de controlo de fluxo de pessoas em todo o território da China continental. Tendo em conta que o surto teve início durante o Ano Novo chinês, quando grande parte das fábricas e empresas estão encerradas e milhares de trabalhadores regressam à terra natal, o setor de produção acabou por não ser tão afetado pela primeira fase da epidemia.

Ainda assim, o impacto de cerca de duas semanas com as fábricas encerradas foi sentido, com a empresa sul-coreana Hyundai a ter de fechar sete das suas fábricas devido à ausência de materiais produzidos na China. Grande parte das medidas de isolamento, que bloquearam estradas e limitaram o movimento de pessoas, também impediram que muitos trabalhadores voltassem ao local de trabalho. As autoridades salientam agora a importância de reiniciar a indústria para reativar a economia nacional.

O Ministério do Comércio, em particular, emitiu uma série de documentos que propõem a implementação de 20 medidas de apoio ao comércio internacional, investimento estrangeiro, fluxo comercial e comércio online.

Para reiniciar as atividades de produção, referem as autoridades, o mais importante é garantir que os trabalhadores podem regressar ao trabalho. Para isso, um grande número de fábricas de várias províncias, incluindo Guangdong, começaram a usar comboios, camionetas e aviões especiais para garantir que os funcionários viajam em segurança.

Além de autocarros e comboios especiais para transportar os trabalhadores, também foram implementadas medidas para atrair nova mão de obra.

Zhuhai, cidade de extrema importância na província de Guangdong e na Área da Grande Baía, assumiu a liderança ao apresentar “10 medidas de reativação da indústria” que oferecem subsídios de emprego a pequenas e médias empresas. Até três meses após a epidemia terminar, se as empresas tiverem recrutado novos funcionários e pagarem o imposto de segurança social, receberão um subsídio de 500 yuan por trabalhador, válido uma vez por funcionário. O valor máximo de subsídio por empresa é de um milhão de yuan, e todas as empresas da cidade podem candidatar-se.

Na nova área de Hengqin e em todos os distritos foram também implementadas medidas de apoio a empresas, para que possam ser reativadas. Em Hengqin, as empresas não só foram encorajadas a alugar transportes para os trabalhadores, como também receberam um máximo de 600 yuan por trabalhador como subsídio para ajudar a que seja retomada a rotina de trabalho.

No distrito de Jinwan, em Zhuhai, novos trabalhadores que assinaram contratos durante o período de controlo do surto irão receber um subsídio de mil yuan por trabalhador. Mesmo se a empresa contratar mais de 10 funcionários, receberá um subsídio entre 300 e 500 yuan por pessoa.

O regresso a Zhuhai representa um risco face às medidas de controlo e prevenção da transmissão do vírus, o que é uma preocupação para as empresas. É por isso que o distrito de Jinwan desenvolveu um plano, financiado pelo Governo, que oferece a todas as empresas e funcionários kits de teste para eliminar dúvidas.

O regresso

Depois dos problemas relacionados com os trabalhadores estarem resolvidos, a produção poderá voltar ao normal. Numa conferência de imprensa no dia 22 de fevereiro em Guangdong, foi revelado que até dia 21 de fevereiro, mais de 50 mil empresas reiniciaram atividade, 42 mil das quais com uma receita anual de mais de 20 milhões de yuan. Um oficial partilhou ainda que “empresas líderes como a Huawei, Midea e Gree já estão a trabalhar em grande capacidade, Huawei a 90 por cento, Gree a 80 por cento e Midea a 70.”

“Além do serviço de incentivo ao reinício de atividades de produção, Guangdong está também a coordenar toda a cadeia industrial. A 20 de fevereiro, 57 dos fornecedores da Huawei retomaram atividade, e numa segunda fase juntaram-se mais 52. Dos 21 fornecedores da ZTE, 18 iniciaram atividade, e dos 169 da Midea, 149.”

Este é ainda apenas o primeiro passo para o maior desafio que a China irá enfrentar. No momento em que este artigo foi escrito a maioria dos restaurantes no país ainda não abriu as portas, operando apenas com serviços de takeaway e entrega ao domicílio. A indústria de restauração, que foi gravemente afetada desde a época de ano novo, não mostra sinais de recuperação.

“Não abrimos nem uma vez. Enfrentamos muitos problemas como rendas e despedimentos”, afirmou o dono da famosa cadeia de restaurantes em Zhuhai, “Xiaoman”.

Jonny, dono de dois bares, um em Zhuhai e outro em Hainan, afirma que decidiu fechar o bar e restaurante em Hainan e despedir todos os funcionários locais por não ter qualquer lucro. Hainan é a maior ilha na China, e vive do turismo. O empresário afirmou ainda que o espaço “não tinha clientes e as despesas eram altíssimas”. “Não foi uma decisão fácil, mas foi necessária. Estou a tentar encontrar uma solução, espero conseguir manter o bar em Zhuhai”, desabafa.

Wendi Song 28.02.2020

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