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Guerra comercial: pode haver vencedores

Os economistas do Banco Mundial fizeram contas e dizem que os países em desenvolvimento podem encontrar oportunidades no pior dos cenários.

São precisos dois para dançar o tango, mas se tudo falhar a música não pára. Ou, pelo menos, não para todos. Os presidentes chinês, Xi Jinping, e norte-americano, Donald Trump, estão a duas semanas de se encontrarem em Buenos Aires, durante a cimeira do G20,  para jantar. As hipóteses de um acordo que ponha fim à atual guerra comercial são reduzidas e o cenário de perdas para todos é o mais apontado. Mas há países que ainda poderão ganhar alguma coisa.

A ideia de que ainda pode haver vencedores de  novas barreiras tarifárias no comércio internacional é defendida  num estudo do Banco Mundial publicado esta semana. Cinco economistas modelaram o comportamento das economias em desenvolvimento caso as tarifas continuem a subir, e caso China, Japão, União Europeia,  México e Canadá retaliem com vigor. Excluindo México e China, o resto do mundo emergente pode ter solução.

Mesmo o pior dos cenários oferece quatro estratégias: envolver-se na guerra; não fazer nada; estabelecer acordos regionais de comércio com outros países que não incluam os Estados Unidos; e dar a outra face – ou seja, descer as tarifas para produtos norte-americanos. As melhores opções para o PIB são as duas últimas, e antagónicas: excluir Washington ou fazer-lhe a vontade.  Mas ambas garantem pelo menos 0,4 por cento de crescimento adicional no estudo liderado pelo economista-chefe do Banco Mundial, Shanta Devarajan. 

“Os resultados mostram que envolver-se na guerra comercial é a pior opção para os países em desenvolvimentos (duas vezes pior do que não fazer nada), ao passo que formar acordos regionais de comércio como regiões não-EUA e liberalizar tarifas às importações aos Estados Unidos (dar a outra face) é a melhor”, defendem os autores. Os cálculos projetam perdas de 0,2 por cento nas economias se a opção for escolher uma trincheira, e de 0,1 por cento ao optar por não agir. 

Segundo o estudo, a razão para estes resultados é a de que “uma guerra comercial entre os Estados Unidos e os seus principais parceiros comerciais cria oportunidades para que os países em desenvolvimento aumentem as suas exportações para esses mercados”. E, por outro lado, “liberalizar tarifas aumenta a competitividade dos países em desenvolvimento, permitindo que capitalizem essas oportunidades”.

Nos cenários do Banco Mundial, um país que já está a aumentar as vendas de soja à China, após as tarifas retaliatórias às compras do bem aos Estados Unidos, o Brasil, surge como um dos que têm maior potencial para aumentar vendas ao exterior ao seguir a estratégia de dar a outra face. Podem ver as exportações crescer 2,5 por cento. A Índia e a generalidade dos países de África também podem aumentar exportações em 2,5 por cento. Mas na África austral, onde está Moçambique, o potencial é menor: 1,2 por cento. Esta será também a melhor opção para o Sudeste Asiático, que aparece a vender mais 4,2 por cento de bens ao resto do mundo. 

Já a realização de acordos regionais, que excluam os EUA, devolve também crescimento aos países que façam essa aposta – no PIB e nas exportações – mas em regra algumas décimas abaixo da opção de ceder e descer tarifas às indústrias dos Estados Unidos. 

O grupo de economistas do Banco Mundial entende assim que os resultados a que chegaram “sublinham que os decisores políticos nos países em desenvolvimento podem desempenhar um papel proactivo e importante de melhorar o impacto prejudicial da escalada de restrições comerciais às suas economias”. 

“Ao terem um liberalização progressiva, ao procurarem acordos regionais de comércio e ao trabalharem no quadro da Organização Mundial do Comércio, podem não apenas ajudar a mitigar os termos negativos dos efeitos comerciais de maiores medidas protecionistas, mas também alcançar benefícios por explorar”, aconselham. 

Maria Caetano 16.11.2018

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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