Quem se importa com a liberdade de imprensa e de expressão deve seguir este caso - Plataforma Media

Quem se importa com a liberdade de imprensa e de expressão deve seguir este caso

O Jornal Son Pou está a ser processado pela Sociedade de Importação e Exportação Polytec, devido a “alegada difamação” por parte do colunista Lei Kong, sendo o caso apresentado em tribunal no ínicio de outubro. A razão pela qual este assunto tem preocupado tanto jornalistas e meios de comunicação locais deve-se simplesmente ao facto de a empresa apresentar como motivo o autor, ter nos seus comentários sobre o incidente Pearl Horizon, acusado a empresa de “alegada fraude” por não ter passado as habitações aos compradores como acordado.
O incidente Pearl Horizon já é discutido em Macau há algum tempo, e até hoje ainda não foi encontrada uma solução do agrado de ambas as partes. Durante este período de tempo foram constantemente publicadas notícias sobre o incidente, porém, comentários e análises ao contexto em volta do incidente e a sua relação risco-benefício foram escassos. O Jornal Son Pou, no entanto, contínua a mostrar uma preocupação social e a acreditar num discurso justo. Sendo assim, o assunto foi mencionado não só em notícias, como também em crónicas e comentários, e todos os jornalistas e colunistas mantiveram uma posição objetiva e justa. Em alguns artigos podem ter sido usadas as expressões “fraude” ou “alegada fraude” uma vez que a Polytec não entregou as habitações como prometido. Esta não é a primeira vez que estes autores fazem tais críticas, e as queixas contra o jornal são ataques à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa.
De acordo com Chao Chong Peng, diretor do Jornal Son Pou, a empresa Polytec também exerceu pressão sobre o colaborador do jornal Wong Cheong Nam, levando a que o próprio abandonasse a sua crónica. Porém a empresa continua ainda a pressionar o jornal e tentar inibir os media, jornalistas e comentadores de Macau.
A Polytec parece estar equivocada. Embora no passado tenham existido vários conflitos entre grandes empresas e órgãos de comunicação social, na maior parte dos casos as empresas procuram primeiro explicar as suas razões e situação aos media e jornalistas, e dessa forma tentar resolver o problema. Caso não tenham sucesso, então publicam o seu lado da história e explicam a posição da empresa. Desta vez a Polytec enviou constantemente cartas escritas por advogados a jornalistas, chegando até a apresentar queixa em tribunal na esperança que o jornal cedesse sob tal pressão. Porém, esqueceram-se que este é um jornal com 30 anos de história, o qual já passou por vários casos e acusações semelhantes, por isso não será intimidado por uma queixa de “alegada difamação”. O caso continuará agora numa batalha legal, e existe até a possibilidade de a Polytec ser acusada de “falsas acusações”.
O diretor do jornal salientou que esta atitude da empresa é um ataque à liberdade de expressão, sendo o autor do artigo o principal afetado. E está correto; esta é uma tentativa por parte de uma grande empresa de destruir a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa em Macau, e se forem bem-sucedidos, será uma tragédia para todos os jornalistas na cidade.

DAVID Chan 31.08.2018

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