Os dois grandes motivos por detrás da guerra comercial de Trump - Plataforma Media

Os dois grandes motivos por detrás da guerra comercial de Trump

Logo após o encontro entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte em Singapura, e enquanto a comunidade internacional estava ocupada a comentar o mesmo e as concessões que Trump fez a favor de Kim Jong-un, no dia 15 de junho, a Casa Branca anunciou que irá, de facto, implementar uma taxa extra de 25% sobre produtos chineses no valor total de 50 mil milhões de dólares. Pequim respondeu então na mesma moeda, sendo agora difícil conter o início de uma guerra comercial. Todavia esta guerra “comercial” é mais política do que económica.

A razão pela qual os EUA querem iniciar uma guerra comercial com a China não está ligada à redução do seu défice orçamental. Na verdade, a China mostrou-se até disponível a ajudar a reduzir o défice cujo valor chegou quase aos 600 mil milhões de dólares. Porém, os EUA não possuem uma grande quantidade de produtos para exportação. Mesmo que o país não consumisse nenhuma parte da sua produção de soja e carne de porco e a vendesse inteiramente à China, esta teria apenas um valor total de menos de 120 mil milhões de dólares. Este valor está claramente longe do objetivo americano, não chegando sequer a 200 mil milhões. O verdadeiro motivo que levou a uma guerra comercial como esta está no facto de o próprio país estar consciente da sua eventual perda caso “jogue” de acordo com as regras, por isso decidiu apostar numa guerra comercial com dois objetivos: primeiro, através dela reescrever as regras da economia mundial, tornando-as mais vantajosas para si. O país acredita que será impossível combater a China seguindo as regras atuais, tendo em conta a posição sólida chinesa na cadeia de produção industrial. Por isso, querem deitar abaixo o sistema multilateral e realizar apenas negociações bilaterais, mais favoráveis para o país. Desta forma, o país poderá recorrer à sua força e poder durante as negociações, definindo novas regras com países como o Japão ou a Alemanha. Esta é a razão pela qual o país está a assumir uma atitude especialmente severa para com os seus aliados. O segundo objetivo é o de reformatar a cadeia industrial mundial. Por que razão procura a China um sistema de trocas multilaterais? Porquê uma reforma e abertura do país? A China neste momento assume um lugar muito importante e com grande influência na cadeia industrial mundial. Em qualquer tipo de produto podemos encontrar a presença chinesa, desde automóveis e computadores a foguetões. Em qualquer uma destas indústrias, pelo menos um dos componentes do produto foi produzido na China, para não mencionar que algumas cadeias de produção são quase dominadas pela China devido à sua dimensão. Os EUA querem então mudar este modelo de cadeia de produção, reduzindo a dimensão que a China ocupa na mesma, ou até mesmo removê-la por completo. É uma manobra desesperada.

Por estas razões, o presidente chinês Xi Jinping, durante o Fórum de Boao para a Ásia, disse que existem duas formas de a China enfrentar esta guerra comercial com os EUA: Uma será continuar com a implementação da sua reforma e abertura, abrindo ainda mais o país e alterando as suas relações de produção ainda pouco desenvolvidas. Outra, será adotar um sistema multilateral. A China já implementou várias reformas para proteger a sua cadeia industrial, como a abertura financeira e a reforma do lado da oferta, inovações que têm por base as verdadeiras necessidades do país e não se tratam de concessões a favor dos EUA. .

DAVID Chan  22.06.2018

Este artigo está disponível em: 繁體中文

Assine nossa Newsletter