Diplomacia de Xi promove inclusão

por Arsenio Reis

O Presidente Xi Jinping efetuou alguns comentários importantes durante a recente cimeira do G20 em Hamburgo, na Alemanha, realçando a necessidade de manter o empenho na construção de uma economia global aberta, de cultivar novas fontes de crescimento para a economia mundial, e de cooperar para promover um crescimento inclusivo e interligado, alcançando-se assim uma prosperidade partilhada e criando-se uma comunidade global de destino comum.

Tais declarações fazem parte da filosofia diplomática de Xi. O Presidente chinês fez uso do Fórum Faixa e Rota para a Cooperação Internacional realizado em Pequim em maio, e das suas visitas à sede regional da ONU em Genebra e ao Fórum Económico Mundial em Davos em janeiro, para popularizar o “Espírito da Rota da Seda” defendido pela China. Este espírito é caracterizado pela “paz, cooperação, abertura, inclusão, aprendizagem mútua, benefício mútuo e resultados mutuamente benéficos”. Xi fez um compromisso sério de que a China irá assumir as suas responsabilidades globais, integrando-se continuamente na economia mundial e na comunidade internacional com uma mente aberta para contribuir mais para a recuperação e para o desenvolvimento da economia global.

Os compromissos de Xi não só demonstram a sua ampla visão diplomática como principal líder de um grande país, mas são também uma expressão concisa dos valores diplomáticos consistentes da China. Os seus compromissos também indicam que a China começou a fazer uso de fóruns e plataformas internacionais para promover os seus valores na diplomacia e em outros campos, ao mesmo tempo que tenta criar um mundo melhor narrando as histórias do país, oferecendo propostas chinesas e contribuindo com a sabedoria chinesa para construir uma comunidade internacional mais aberta e inclusiva.

Os valores diplomáticos, um reflexo da perceção, juízo e abordagem de um país nas suas relações com outros países, são um sistema integrado de conceitos básicos e princípios fundamentais, com base nos quais o país pode manter os interesses nacionais através de práticas diplomáticas. Eles determinam diretamente a perceção básica de um país soberano no contexto da ordem mundial e nas relações entre Estados, dominando também as suas políticas diplomáticas e respetiva implementação.

A política externa a longo prazo de um país deve ser coerente com os seus interesses e estar de acordo com os seus valores diplomáticos, e as suas políticas e iniciativas diplomáticas concretas são na maioria dos casos uma manifestação dos seus valores diplomáticos. Isso significa que os valores diplomáticos decidem diretamente a bandeira erguida por um país, o rumo que segue, as ideologias que defende e as ideias a que se opõe. Estes valores irão também definir a natureza diplomática de um país, orientar as suas práticas diplomáticas e moldar a sua alma e propensão diplomática.

Os valores diplomáticos da China de hoje são baseados em práticas diplomáticas de mais de seis décadas. Com a teoria marxista como farol de orientação e com base nas condições nacionais, os valores diplomáticos da China absorveram a essência da civilização chinesa, herdaram a sua nobre tradição diplomática e estão preparados para servir o socialismo com características chinesas. É esta a razão fundamental pela qual estes valores conseguem manter a vitalidade e uma natureza avançada.

Depois de décadas de enriquecimento, os valores diplomáticos da China evoluíram para uma combinação orgânica de propostas e conceitos diplomáticos sistemáticos. A igualdade de soberania é um pré-requisito destes valores diplomáticos, e a sua essência é que a soberania e dignidade de todos os países, grandes ou pequenos, fortes ou fracos, ricos ou pobres, deve ser respeitada, e a sua participação em pé de igualdade no processo de decisão de várias instituições internacionais constitui um importante motor de uma governação global desenvolvida, tal como Xi sublinhou. Os valores são baseados na posse de um poder independente e autodeterminado.

O espírito central do socialismo com características chinesas é a convicção de que o povo chinês é a espinha dorsal do rumo de desenvolvimento da China e da aderência do país a um caminho que se adequa às suas condições nacionais. Nenhum país deve achar o seu rumo de desenvolvimento superior ao de outros países ou impor o seu caminho a outros, tal como Xi afirmou.

Sendo o maior país em desenvolvimento do mundo, a China tem desde há muito tempo tido a reforma e o desenvolvimento como tarefa nacional central e como diretriz fundamental para lidar com as relações internacionais. O país entende e respeita totalmente a urgente procura por avanços socioeconómicos de um grande número de países em desenvolvimento, apoia firmemente a globalização e opõe-se ao protecionismo, e defende e promove a Iniciativa Faixa e Rota para partilhar as suas próprias oportunidades de desenvolvimento com outros países.

A China defende a democratização das relações internacionais, promove o desenvolvimento de um novo tipo de relações internacionais tendo como cerne a cooperação e os resultados mutuamente benéficos e adere a uma abordagem justa. O conceito de criar uma comunidade humana de destino comum lançado por Xi reflete o desejo da China de seguir a igualdade e a justiça.

A China segue uma política defensiva no que diz respeito à sua defesa nacional, implementou uma política geral de segurança nacional e opõe-se firmemente ao uso da força ou de ameaças para resolver disputas internacionais. O país defende o estabelecimento de uma perspetiva de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável, e esforça-se por criar um mundo de paz e prosperidade duradouras.

Existem boas razões para acreditar que a China se irá tornar num importante elemento no cenário mundial. Os seus líderes irão promover estes valores chineses com uma maior confiança e com uma voz mais forte. 

Xu Zhengyuan 

O autor é investigador na Academia Nacional de Desenvolvimento e Estratégia da Universidade Renmin da China.

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