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Perspetivas positivas

FMI revê as previsões de crescimento da China em alta para este ano, e aposta numa maior expansão nos serviços. Os dados do primeiro trimestre contrariam a expectativa. 

O quadro para este ano e para 2017 é de um abrandamento mais prolongado da economia global, com advertências contra os riscos de estagnação secular nas economias avançadas por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) e pedidos de medidas ativas de política de promoção do crescimento. Mas, no caso da China e segundo a instituição, as medidas de estímulo aplicadas no último trimestre permitem antever melhorias.

As perspectivas económicas mundiais do FMI, publicação regular que antecipa as tendências macroeconómicas globais, reviram este mês o crescimento chinês em alta, esperando-se que a atividade económica do país se expanda em 6,5 por cento ao longo de 2016, com um abrandamento para uma taxa de crescimento do PIB de 6,2 por cento no próximo ano. O FMI aposta numa aceleração do sector dos serviços, em linha com o objectivo do Governo Central de transformação do modelo económico chinês para uma maior contribuição do consumo doméstico e do sector terciário.

“O crescimento do sector dos serviços deverá ser robusto à medida que a economia continua a transição do investimento para o consumo. Assume-se que um crescimento elevado dos rendimentos, um mercado de trabalho robusto, e reformas estruturais concebidas para apoiar o consumo, manterão o processo de reequilíbrio no seu curso ao longo do horizonte de previsões”, afirma o último relatório do FMI.

As estimativas de crescimento chinês contrastam com as perspectivas globais, com a instituição a rever em baixo as previsões de crescimento da economia mundial para 3,2 por cento este ano – contra uma previsão de crescimento de 3,4 por cento em Janeiro último – e para 3,5 por cento em 2017.

As expectativas quanto à China destoam também daquelas que são enunciadas para o conjunto das economias emergentes onde se insere o país, com as previsões de crescimento revistas em baixa para 4,1 por cento em 2016 e para 4,6 por cento no ano seguinte.

O relatório de perspectivas do FMI também vê deterioradas as condições para o comércio mundial, com um crescimento estimado de 3,1 por cento ao longo de 2016, e para os preços do petróleo, prevendo que caiam 31,1 por cento este ano, apesar de sinais de recuperação a partir de meados de Fevereiro. 

O documento foi divulgado a dias das reuniões de primavera do FMI, com a instituição a dar conta de uma aumento dos riscos negativos para as previsões da economia global. O cenário atual poderá ser agravado por uma saída desordenada de capitais das economias emergentes e pelas ramificações internacionais do processo de transição chinês, pelas pressões a que estão sujeitos os países exportadores de petróleo, mas também por uma redução na confiança para o financiamento nos mercados financeiros, por recessões mais prolongadas em países como Brasil e Rússia, por riscos geopolíticos e por uma eventual decisão de saída do Reino Unido da União Europeia no referendo que o país organiza a 23 de Junho próximo.

“A percepção de que há um espaço político limitado para dar resposta a choques negativos, tanto nas economias avançadas quanto emergentes, está a exacerbar as preocupações com estes cenários adversos”, defende o relatório.

As preocupações são agravadas no caso da zona euro, com pessimismo relativamente à manutenção de níveis de inflação considerados demasiado baixos e do fardo da dívida que pesa contra o crescimento nalguns países.

“Para além desta encruzilhada imediata, o perigo de estagnação secular e a persistência de inflação demasiado baixa nas economias avançadas, tal como um crescimento mundial potencialmente mais baixo que o antecipado, tornaram-se mais tangíveis”, afirmam os responsáveis do FMI no documento que recebe o título ‘Demasiado Lento por Demasiado Tempo’.

No caso chinês, é pedido apoio internacional para a transformação do modelo económico do país, mas também um maior compromisso das autoridades centrais com as reformas necessárias para realizar o objectivo. Designadamente, reforma das empresas estatais, melhoria na regulação e supervisão financeira e aumento do recurso às taxas de juro como instrumento de política monetária.

As receita, diz o FMI, deve ser acompanhada de uma redução do endividamento excessivo, de um maior peso das forças de mercado no mecanismo cambial, da reforma da segurança social e de um estímulo fiscal que surja orçamentado nas contas do Estado.

Houve já progressos, reconhece a instituição, mas falta ambição. O Governo Central deve “garantir um roteiro mais claro para um papel substancialmente maior do sector privado e deve endurecer os constrangimentos orçamentais – e num passo acelerado”.

“As autoridades devem também comunicar claramente as suas políticas, incluindo as políticas cambiais, e estarem disponíveis para aceitar um crescimento mais lento e que seja consistente com o reequilíbrio”, defende o FMI.

Têm sido estas, largamente, as recomendações do Fundo Monetário, que ao mesmo tempo alerta para as repercussões do abrandamento chinês – mesmo que necessário – para a atividade global. Neste relatório, os economistas do FMI estimam que uma quebra de 1 ponto percentual no PIB chinês por efeito de uma redução do investimento resulte numa contração de 25 pontos base nas 20 maiores economias do mundo.

Os últimos dados oficiais da atividade económica chinesa, relativos ao primeiro trimestre deste ano, continuam a confirmar a tendência de abrandamento, mas num sentido contrário aos objectivos políticos de Pequim e às expectativas enunciadas pelo FMI.

Entre os meses de Janeiro e Março deste ano, a atividade económica chinesa abrandou para um crescimento de 6,7 por cento, contra 6,8 por cento no final de 2015, em linha com as expectativas dos analistas.

O abrandamento reflete uma descida na atividade dos serviços, com o ritmo de crescimento no sector a abrandar para 7,6 por cento nos primeiros três meses deste ano (8,2 por cento no último trimestre de 2015), enquanto sectores como a indústria e construção registaram uma desaceleração menos acentuada (5,8 por cento por comparação com um crescimento anterior de 6,1 por cento).

Em Março, a produção industrial conheceu um aceleramento substancial, para 6,8 por cento, num máximo de nove meses. A recuperação é atribuída a uma reanimação na construção e indústrias pesadas.

O abrandamento nos serviços é visto como reflexo de uma quebra na atividade financeira em resultados dos episódios de volatilidade nas bolsas da China Continental no início do ano.   

 

Maria Caetano‭ ‬ 

 

 

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