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Menos impunidade

mundo dá muitas voltas. Sempre deu. A diferença estará agora na velocidade e na escala da mudança. Contudo, há comportamentos que não mudam assim tanto. Veja-se o exemplo das fortunas escondidas e das guerras de poder. Já na era da “Guerra dos Tronos”, uma das mais influentes séries televisivas da atualidade, as guerras eram negociadas entre banqueiros obscuros, refugiados numa ilha fortificada, que decidiam os reis que lhes convinha – ou não – financiar; a Idade Média foi também ela muito fértil na proliferação de dívidas soberanas contraídas por monarcas que, paralelamente, acumulavam fortunas privadas, razão pela qual os Templários foram tão importantes, assegurando a mobilidade física dos bens.

Hoje, mais do que ontem, proliferam fortunas escondidas por banqueiros, empresários, consultores, artistas, desportistas, políticos, mafiosos e outras estrelas do firmamento sóciopolítico. As contas offshore no Panamá, divulgadas pelo Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação, não contam em si nada fora do senso comum. Contudo, revelam nomes e fraudes, contribuindo decisivamente para o nervosismo das elites habituadas à ilusão de impunidade. 

Talvez mais estruturante seja a própria natureza deste consórcio de investigação. A vastidão de documentos, a dispersão geográfica e o poder real dos titulares destas contas tornam praticamente impossível a investigação jornalística em moldes clássicos. O que estamos a assistir é à conjugação de interesses entre piratas informáticos, gabinetes universitários e jornais de referência, que multiplicam meios, acessos e proteção mútua. Estamos perante uma estágio diferente da era da informação, que surpreende pela positiva. 

As fortunas ilegítimas não não vão acabar, nem a influência que algumas delas têm no mundo. Mas estão menos escondidas, têm mais medo da consciência coletiva e dos riscos de serem descobertas. A opinião pública choca-se, a elite retrai-se. Já foi pior… Voltará certamente a ser.  

 Paulo Rego

 

 

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