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Espaço para voar

Com novas instalações na antiga Universidade da Taipa, o Instituto de Formação Turística quer ganhar asas e afirmar-se como plataforma de referência mundial.
A ambição renovada passa por captar mais alunos, não só na China como no universo de língua portuguesa. II-VIII

Mais espaço para expansão

O Instituto de Formação Turística (IFT) recebeu três edifícios e dois laboratórios da Faculdade de Ciências e Tecnologia do antigo campus da Universidade de Macau. Esses serão sobretudo importantes para acolher mais alunos — especialmente, os estudantes de intercâmbio.

No anúncio da criação, em Macau, do Centro Global para a Educação e Formação em Turismo, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, dizia que seria o IFT a assumir essa “grande missão” e que parte do antigo campus da Universidade de Macau vão servir para essa função. “Depois de ter um novo campus, o IFT passará a dispor de melhores instalações e equipamentos, os quais servirão para o Centro proceder à formação dos quadros altamente qualificados na área turística. Através da cooperação com a Organização Mundial de Turismo (OMT), Macau vai conseguir atrair mais estudantes locais e internacionais, incluindo os quadros responsáveis pelos assuntos de turismo dos estados membros das Nações Unidas, proporcionando-lhes acções de formação em gestão turística, hoteleira, convenções de exposições, guias turísticos, gastronomia e ou até à prova de vinhos, o que pode contribuir, de forma significativa, para a melhoria da qualidade de formação turística em Macau”, indicou o gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura.

Conforme indicou a vice-presidente do IFT, Florence Ian, a instituição de ensino superior tem agora três novos edifícios, sitos no antigo campus da Universidade de Macau, e dois laboratórios. O edifício de 21 andares East Asia Hall — onde se encontravam as residências universitárias da Universidade de Macau — serve para acolher estudantes ou docentes, com espaço para perto de 700 pessoas. Assim, o IFT poderá prosseguir o seu plano de internacionalização, trazendo mais alunos de intercâmbio. “Dantes, não tínhamos tais instalações e os alunos estavam espalhados. Arrendámos espaços para os estudantes, mas, no que toca à rede de apoio aos alunos, este vai ser muito melhor”, esclarece. Desde Janeiro, os estudantes do IFT já se encontram ali a residir.

Quanto ao edifício que acolhia a biblioteca da Universidade de Macau, a vice-presidente afirma que já há planos precisos. “Vamos manter a biblioteca no rés do chão. Continuamos a manter a que temos aqui [em Mong-Há], mas é mais modesta. No que toca aos restantes [três] andares do edifício, vamos reconverter o espaço em salas de aula”, revela. Deverá começar a funcionar, entre Junho e Julho, segundo a vice-presidente. “Não nos esqueçamos que arrendámos um campus temporário junto da rotunda da Hovione, e o contrato termina em Agosto.”

A mudança será feita em duas fases. De início, o campus temporário transfere-se para o edifício da biblioteca. “Estamos a referir-nos aos alunos do terceiro e quarto anos, que atualmente estão a ter aulas no campus temporário”, afirma. Terminada essa fase, há que fazer alterações pequenas ao edifício, uma vez que “continua em óptimas condições”. E, no prazo de dois anos, os alunos do primeiro e segundo anos de licenciatura — que, atualmente, se encontram a ter aulas em Mong-Há — deverão mudar-se para o novo campus.

Num dos edifícios, o IFT pretende também estabelecer um novo hotel educacional. “Vamos manter a Pousada de Mong-Há, até porque se trata de património. E vamos também manter o resto do campus onde atualmente nos encontramos o hotel, o restaurante, a cozinha, para fins educacionais. Este [em Mong-Há] continua a ser uma espécie de hotel boutique, com um toque português”, diz, acrescentando: “No novo campus, vamos ter um hotel mais futurista, minimalista, uma espécie de hotel inteligente. Vamos tentar chegar aos jovens, mas também aos que são jovens de espírito.” Apesar de não querer revelar muitos pormenores, a vice-presidente do IFT afirma que o hotel, apesar de educacional, estará aberto ao público. Com perto de 20 camas, deverá complementar a oferta do IFT. “Queremos uma oferta complementar ao que já existe, talvez ao estilo residencial.”

Por enquanto, não há planos precisos em relação aos dois laboratórios. “Ainda estamos a pensar como vamos aproveitá-los.”  

Suplem

A duplicação dos números

O IFT tem atualmente cerca de 1600 estudantes nos cursos de licenciatura e perto de 20 mil na formação contínua. Com a extensão para o campus antigo, a instituição de ensino superior ganha 20.000 metros quadrados e uma possibilidade de, no espaço de dez anos, fazer crescer o número das licenciaturas para 3.000. Mas o destaque vai para os alunos internacionais, que, conforme adiantou em declarações ao PLATAFORMA, a vice-presidente do IFT, Florence Ian, espera que cresça dos atuais 30 para 60, a muito breve trecho.

Criado em 1995, o IFT é uma instituição pública de ensino superior, com cursos ao nível da licenciatura e de formação contínua em áreas como a hospitalidade, património, eventos, retalho, marketing, turismo de negócios, lazer e entretenimento, desporto e recreação, estudos culturais e criativos, além das artes culinários. Ao nível executivo, o IFT também garante programas em cooperação com escolas internacionais de turismo. O governo também incumbiu o IFT de desenvolver programas de investigação ao nível do planeamento turístico e desenvolvimento, de forma a auxiliar a implementação de políticas governamentais neste campo.

Com esta ampliação das instalações, a aposta agora é na internacionalização. Com mais 20.000 metros quadrados a ser usados nas instalações antigas da Universidade de Macau, o IFT ganha novas oportunidades de desenvolvimento. Segundo afirmou Florence Ian ao PLATAFORMA, os três edifícios e os dois antigos laboratórios da Faculdade de Ciências e Tecnologia trarão oportunidades de expansão — sobretudo as residências para os alunos, docentes e funcionários, que garantem perto de 700 camas.

Com esse acréscimo de espaço, a vice-presidente afirma que o IFT poderá reforçar os laços que já tem com 97 universidades de 22 cidades e países, apostando, sobretudo nos países de expressão portuguesa. “Queremos fazer mais com os países lusófonos. No IFT, todos precisam de uma língua obrigatória e temos vindo a ver mais alunos interessados em aprender Português. A Escola de Turismo e Indústria Hoteleira está a trabalhar em cursos de curta duração, em Português. Todas as universidades estão coordenadas, não competimos. Não queremos duplicar recursos, especialmente no que toca às instituições públicas.”

Para já, o objetivo é transferir os alunos dos terceiro e quarto anos no verão, altura em que termina o contrato de arrendamento do campus temporário junto à rotunda da Hovione. Nos dois anos subsequentes, os alunos do primeiro e segundo anos da licenciatura, bem como os restantes docentes e funcionários deverão também transferir-se para lá, finalizando o processo de mudança.

Assim, quando a transferência terminar, a atual sede do IFT, em Mong-Há, deverá ser usada sobretudo para efeitos de formação contínua, mantendo também a Pousada em funcionamento, o restaurante e a cozinha. “Vamos manter a Pousada de Mong-Há, até porque se trata de património. E vamos também manter o resto do campus onde atualmente nos encontramos — o hotel, o restaurante, a cozinha, para fins educacionais. Este [em Mong-Há] continua a ser uma espécie de hotel boutique, com um toque português”, diz.

Numa entrevista anterior ao PLATAFORMA, a presidente do IFT, Fanny Vong, referia-se a uma estratégia a dez anos, prevendo um aumento de quase 100 por cento do número de alunos a frequentar as licenciaturas do instituto. “Num plano a dez anos – e não estou a falar para já – prevemos um desenvolvimento do instituto com cerca de 3000 estudantes”, dizia a responsável, acrescentando: “Isso levará alguns anos, não acontece do dia para a noite. Para a formação contínua seguiremos esta tendência de dar resposta às exigências da indústria. Neste momento temos a capacidade de treinar 20 mil ao ano, mas no futuro os números deverão corresponder ao aumento dos estudantes.”

O acordo com a OMT

Na assinatura do memorando de entendimento com a Organização Mundial de Turismo (OMT) para estabelecer em Macau um Centro Global para a Educação e Formação em Turismo, com a participação do IFT, a instituição sediada em Mong-Há assinou um acordo para a criação da Aliança Global de Pesquisa em Turismo. Esta aliança deverá marcar uma nova fase para o IFT, que deverá contar com as novas instalações no antigo campus da Universidade de Macau para proceder a esta missão. “O IFT tem o seu próprio centro de investigação, mas sentimos que não é suficiente para analisar temas urgentes no turismo, pois precisamos de olhar além Macau”, afirmou, na altura, Fanny Vong à imprensa.

Destacando que a Aliança Global é um iniciativa exclusiva do IFT, que será responsável pelo secretariado de apoio, Fanny Vong adiantou que o público poderá esperar a publicação de recomendações e análise de assuntos do turismo, como o desenvolvimento sustentável do sector ou a questão da capacidade de acolhimento. A declaração conjunta do IFT com nove centros de investigação da Carolina do Sul (EUA), África do Sul, Austrália, Nova Zelândia ou Emirados Árabes Unidos, entre outros, foi assinada no mesmo dia em que a RAEM subscreveu o memorando de entendimento com a OMT para o estabelecimento de um Centro Global para a Educação e Formação em Turismo em Macau.

Conforme adiantou Florence Ian ao PLATAFORMA, mais cursos e outro tipo de formação deverá surgir. “Depois de o centro estar estabelecido, o IFT e a Organização Mundial do Turismo [OMT] vão trabalhar em conjunto. Teremos mais cursos e outro tipo de cursos. Agora, quando os membros regionais cá vierem, temos espaço para alojá-los.” 

Luciana Leitão

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