METRO LIGEIRO DERRAPA NAS CONTAS E NA INAUGURAÇÃO - Plataforma Media

METRO LIGEIRO DERRAPA NAS CONTAS E NA INAUGURAÇÃO

 

Em 90 páginas, o Comissariado de Auditoria arrasa o processo de implementação o Metro Ligeiro em Macau

 

O Governo de Macau alterou 15 vezes a data para entrada em funcionamento do Metro Ligeiro, uma obra que está agora quase três anos atrasada em relação à previsão inicial, segundo um relatório do Comissariado de Auditoria esta semana publicado.

Estes atrasos, associados a estimativas incompletas, deram origem a “grandes derrapagens orçamentais”, segundo o Comissariado de Auditoria (CA), que acusou ainda a falta de afetação de trabalhadores especializados, que estavam previstos para o projeto e para os quais foram pagos honorários.

Num relatório de 90 páginas, o CA avaliou a primeira fase do sistema de Metro Ligeiro, em construção no território e que se divide entre a linha da Taipa e a linha de Macau.

Segundo o comissariado, a obra foi anunciada em 2007, prevendo-se a sua conclusão para 2011. Desde então, o projeto sofreu 15 atrasos, com as mais recentes previsões a apontarem para o início de funções da linha da Taipa (em estado mais avançado) em 2017. No total, são 883 dias de atraso que o CA considerou terem sido particularmente danosos à cidade.

Até as estimativas mais recentes, de finais de 2013, são postas em causa já que, por exemplo, quatro obras de construção da linha da Taipa, iniciadas em 2012 e com conclusão prevista para este ano, apenas apresentavam uma taxa de execução efetiva de 2%.

As críticas do CA são dirigidas ao Gabinete para as Infraestruturas de Transportes (GIT), responsável pelo projeto do metro que, em esclarecimentos, apontou responsabilidades aos empreiteiros que, por sua vez, se queixam de falta de trabalhadores e equipamentos.

Dados dos primeiros seis meses de 2013 mostram que, para uma das obras, o empreiteiro tinha autorização para empregar entre 655 e 789 trabalhadores mas só conseguiu 168 pessoas.

O projeto também ainda não tem orçamento, com a única previsão feita pelo GIT, de cerca de 500 milhões de patacas (cerca de 6,3 mil milhões de dólares) a ser calculada tendo por base os custos de uma parte do traçado.

O CA alertou que o contínuo aumento dos preços dos materiais de construção vai certamente resultar em valores muito superiores. Outro problema identificado pelo comissariado prende-se com a equipa técnica de gestão recrutada no exterior, por falta de técnicos locais qualificados e com experiência na construção deste tipo de obra.

Segundo o CA, o número destes técnicos que efetivamente cumpriu funções ficou abaixo daquele previsto e pelo qual o GIT pagou. Nas primeiras seis etapas de trabalhos, a dotação efetiva de trabalhadores ficou abaixo da prevista entre 2 e 24 trabalhadores, variando nas diferentes equipas, o que perfaz um défice mensal de 12 trabalhadores.

“O GIT contratou uma equipa experiente e profissional do exterior para gerir a construção do sistema de metro ligeiro e pagou honorários no valor de 176 milhões de patacas (cerca de 1,9 mil milhões de euros)”, mas “não aplicou nenhuma medida de controlo sistemático” para verificar se a sua afetação estava a ser cumprida pelo consórcio responsável pela obra.

Em conclusão, o CA considera que o GIT adotou “um modelo e lógica de gestão tradicionalmente prevalecentes nas obras públicas de Macau”, que levou a “estimativas incompletas do investimento global que, por sua vez, “deram origem a grandes derrapagens orçamentais”.

 

 

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