BRASILEIRA VALE VENDE PARTE DE MINA DE MOÇAMBIQUE - Plataforma Media

BRASILEIRA VALE VENDE PARTE DE MINA DE MOÇAMBIQUE

 

A mineira Vale confirmou que assinou um acordo de investimento com a japonesa Mitsui & Co, para alienação de cerca de 15% do seu capital nos ativos da mina de Moatize, no centro de Moçambique.

Falando numa conferência de imprensa na sede da Vale Moçambique, em Maputo, Pedro Gutemberg, diretor-executivo da empresa, avançou que as negociações entre as duas multinacionais foram hoje concluídas e abrem espaço à entrada do grupo japonês no capital da mina de Moatize, no qual a Vale detém uma participação de 95 por cento.

Ao alienar cerca de 15% da sua quota acionista, a Vale passa a deter 81% do capital da Vale Moçambique, empresa na qual o Estado moçambicano mantém uma participação de 5% através da estatal Empresa Moçambicana de Exploração Mineira, enquanto à Mitsui caberá uma quota de cerca de 14%, referiu.

Para entrar no projeto mineiro, a Mitsui terá de pagar entre 330 milhões e 480 milhões de dólares, “dependendo de algumas variáveis de performance que vão ser medidas no futuro, como produção, rendimento do carvão na mina”, montante do qual será utilizada uma parcela de 188 milhões de dólares  para financiar obras de expansão da mina.

Por outro lado, o grupo japonês vai também entrar na estrutura acionista do Corredor Logístico de Nacala, um empreendimento ferro-portuário, que tem em vista o escoamento de carvão produzido em Moatize pelo porto de águas profundas de Nacala-a-Velha, no qual a Vale mantém uma participação de 70% e a estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique detém uma quota de 30 por cento.

Neste empreendimento, cujas obras de reconstrução e expansão estão orçamentadas em quatro mil milhões de dólares, a Mitsui deverá adquirir metade da participação da Vale (50%) ao entrar com 313 milhões de dólares, o que vai deixar as duas empresas com uma quota de 35% e um “controlo compartilhado” do projeto.

“O objetivo principal desta operação é concluir os investimentos na mina e logísticos e alcançar o nível que nós almejamos que é de chegar a uma produção anual de 22 milhões de toneladas de carvão em 2017”, assinalou Pedro Gutemberg.

Enfatizando que a operação “não traz lucros” à Vale, Pedro Gutemberg afirmou que a operação de venda só deverá ser concluída durante o segundo semestre de 2015, uma vez que a entrada da Mitsui terá de ser aprovada pelos governos de Moçambique e do Maláui”, no caso particular do projeto do Corredor de Nacala.

O grupo japonês será também responsável pela procura de financiamento junto de bancos do Japão, até um montante de 2,7 mil milhões de dólares, dos quais 1,7 mil milhões  para financiar os investimentos que ainda são necessários fazer para a conclusão do corredor e mil milhões  para o abate da dívida existente, que foi contraída junto da Vale.

“Enquanto estas condições não forem cumpridas, nada vai mudar. Nós acreditamos que isso possa acontecer entre os próximos seis e oito meses”, adiantou o diretor-executivo da Vale Moçambique, salientando que a Vale não espera ser tributada em sede de mais-valias pelas autoridades moçambicanas.

“Temos cálculos que demonstram que esta operação não traz nenhum lucro para Vale Moçambique, até porque os valores que vão ser avançados de forma proporcional pela Mitsui estão abaixo dos valores que já aportamos”.

Pedro Gutemberg avançou ainda que, dentro de um ano, a Vale espera vender a investidores moçambicanos mais 10% do capital que detém na mina de Moatize, no âmbito de um compromisso contratual com as autoridades locais.

 

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