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MACAU ALERTA

 

Mais de 120 cidadãos oriundos dos países afetados pelo Ébola já entraram em Macau desde que o Governo da RAEM acionou o plano de contingência contra o vírus, no final de julho. Até ao momento, não existem casos suspeitos mas, apesar das probabilidades deste vírus chegar a Macau serem “mínimas”, as autoridades de Saúde garantem que estão preparadas para oferecer tratamento de suporte.

 

Captura de ecrã 2014-08-23, às 10.35.30 PMAs probabilidades do vírus Ébola chegar a Macau são mínimas. Mas não são nulas, admitem as autoridades de Saúde do território. “Não podemos excluir essa possibilidade e temos de estar preparados”, alerta Lam Chong, chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doença dos Serviços de Saúde de Macau.

“O vírus foi detetado há 40 anos em África e desde aí têm havido vários surtos naquele continente, embora em pequena escala e controlados de imediato. Desta vez aconteceu num só país [Guiné-Conacri], estendeu-se a outros dois [Libéria e Serra Leoa] e por último à Nigéria. Ainda não está controlado”, justifica o também médico consultor de Saúde Pública em entrevista ao Plataforma Macau.

Até esta quarta-feira, 126 cidadãos com passaporte da Guiné-Conacri, Serra Leoa, Libéria e Nigéria, que entraram em Macau, foram sujeitos a uma avaliação de saúde. Uma das pessoas que passou pelos exames apresentou um quadro de febre e foi acompanhada por telefone pelos Serviços de Saúde. Por não apresentar mais sintomas deste vírus e como acabou por deixar o território, não foi necessário acompanhamento complementar. Lam Chong detalha: “Nos postos fronteiriços é feita a medição da temperatura e se alguém apresentar um quadro de febre, será sujeita a avaliação. Se houver alguma possibilidade de ser uma doença infecciosa, então as pessoas serão transferidas para o hospital para a realização de exames complementares”.

 

TRATAMENTO DE SUPORTE

O vírus Ébola, com uma taxa de mortalidade até 90%, não tem cura nem vacina. Em Macau, existe apenas tratamento de suporte, começa por explicar a médica infecciologista do Centro Hospitalar Conde de São Januário Maria Filomena Coelho.

No caso de serem detetados casos suspeitos “temos de fazer um tratamento de suporte para esta doença viral e ao mesmo tempo acompanhar o doente no sentido de excluir que ele tenha uma infeção por uma bactéria, seja uma infeção urinária, uma pneumonia, porque para essas [doenças] temos capacidade de tratamento. No fundo, é um tratamento de suporte e vigilância”.

No hospital público, a área de isolamento foi criada após a epidemia da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), em 2004. A também chamada pneumonia atípica serve de referência para os especialistas do território. “O controlo infeccioso é mais ou menos semelhante a outras doenças infectocontagiosas, como a SARS, e por isso os nossos enfermeiros e médicos têm sido regularmente treinados”, nota Lam Chong.

Durante uma visita à área de isolamento, no 5.º andar do centro hospitalar, a médica infecciologista Maria Filomena Coelho realça a necessidade destas instalações estarem equipadas com um sistema de ventilação específica de pressão negativa. “Aquilo que nós queremos é que o ar que circula naquela unidade não venha para fora, portanto, esta pressão negativa faz com que se sugue o ar do corredor para o quarto, onde existe um sistema com filtros que renova [este ar]”

 

ENSAIOS CLÍNICOS PARA PAÍSES AFETADOS

Numa declaração divulgada recentemente, a Organização Mundial da Saúde considera “ético” o uso de terapias e de vacinas experimentais para combater o Ébola. No entanto, a recolha e a partilha dos resultados destes tratamentos é uma “obrigação moral” para se compreender a sua segurança e eficácia, reforça a entidade.

Recorde-se que, recentemente, dois doentes, que estavam em missão na Libéria, foram submetidos a um ensaio experimental inovador. Trata-se de uma combinação de moléculas desenvolvidas e que, em macacos, conseguiram combater este vírus. Um dos pacientes melhorou e o outro estabilizou.

A aquisição deste tratamento experimental não está nos planos da RAEM. “A produção é muito reduzida e a ideia [da comunidade internacional] é providenciar tratamento a países que realmente precisem”, nota o especialista em Saúde Pública Lam Chong.

A médica Maria Filomena Coelho assume que estas terapias experimentais podem “ter pernas para andar”, embora não seja claro se a recuperação dos doentes norte-americanos está ligada à aplicação dos ensaios clínicos. “São todas essas questões que têm de ser estudadas no terreno e bem documentadas”.

A especialista chama ainda atenção para questões éticas que se levantam com a sua utilização: “Esta medicação está a ser ensaiada e esses ensaios têm de observar regras para não desencadear problemas sociais e éticos”.

Maria Filomena Coelho realça que, para já, em Macau, é importante informar a população sobre este vírus para não haver casos de pânico. No caso de suspeitas, as pessoas devem contactar de imediato os Serviços de Saúde, adverte. “Nós podemos ir buscar o doente a casa e trazê-lo em condições de segurança. O que não queremos é que o indivíduo com sintomas entre num autocarro cheio de gente e chegue ao hospital, onde se confirma a doença. Isso seria complicado, porque do ponto de vista epidemiológico teríamos de seguir todos os contactos”.

 

Catarina Domingues

 

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