O bloco dos países emergentes está prestes a anunciar a criação de um banco comum para projetos de desenvolvimento
O Governo chinês revelou esta semana a existência de um “amplo consenso” para a criação de um Banco de Desenvolvimento dos BRICS (grupo de países composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), cujo anúncio formal deverá acontecer já este mês, na cimeira daquele grupo.
“Os cinco países têm um forte desejo de estabelecer um banco e chegaram a um amplo consenso nesse sentido”, disse o vice-ministro das Relações Externos chinês, Li Baodong, numa conferência de imprensa destinada a antecipar a cimeira que decorre em Fortaleza, no Brasil, no próximo dia 15.
Os BRICS deverão passar, assim, a ter um banco destinado a desenvolver projetos de desenvolvimento, que será financiado inicialmente com um capital que pode chegar aos 100 mil milhões de dólares. As negociações para a criação do banco já duram há alguns anos, mas as dificuldades técnicas têm atrasado o processo.
“As divergências têm de se resolver mediante o diálogo entre todos os países membros, as discussões ainda continuam, há muitos pontos de vista, mas o objetivo de pôr em marcha o mais rápido possível este banco é comum a todos”, acrescentou o responsável chinês.
Além do banco de desenvolvimento, os BRICS têm previsto a criação de um fundo de reservas a ser usado em caso de “contingências financeiras”.
XI JINPING VOLTA À AMÉRICA LATINA
A cimeira dos BrI, que de realiza no Brasil, nos dias 15 e 16 de julho, leva o Presidente chinês, Xi Jinping, a efetuar na próxima semana sua segunda viagem à América Latina em cerca de um ano, visitando Brasil, Argentina, Venezuela e Cuba, de 15 a 23 de julho. O programa inclui a participação na 6.ª Cimeira do bloco de economias emergentes BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que decorrerá este ano no Brasil, nos dias 15 e 16 de julho, indicou o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang.
É a segunda viagem de Xi Jinping à América Latina desde junho do ano passado, quando visitou o México, Costa Rica e Trinidad e Tobago.
Dois dos dez maiores investimentos de empresas estatais chinesas fora da China em 2013, ambos na área da energia e superiores a mil milhões de euros, ocorreram no Peru e no Brasil.
A China tornou-se em 2009 o maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos da América. Segundo a Administração-geral da Alfândegas Chinesas, em 2013, o comércio entre os dois países somou 89,84 mil milhões de dólares, mais 5,1% do que no ano anterior, com um saldo de 17,48 mil milhões de dólares favorável ao Brasil.