Início » Ministério Público arquiva caso da Torre Bela e conclui que abate de mais de 400 animais não constituiu crime

Ministério Público arquiva caso da Torre Bela e conclui que abate de mais de 400 animais não constituiu crime

O Ministério Público (MP) arquivou o inquérito ao abate de centenas de animais na Herdade da Torre Bela, na Azambuja, por considerar que não reuniu indícios suficientes da prática de crime contra a natureza nem conseguiu identificar os responsáveis pelos factos.

Segundo o jornal Público, o despacho de arquivamento conclui que a investigação foi dificultada por um verdadeiro “código de silêncio” entre os envolvidos, o que impediu a identificação dos autores do abate.

O caso remonta a dezembro de 2020, quando imagens de uma montaria organizada na herdade mostraram dezenas de caçadores ao lado de centenas de carcaças de veados, gamos e javalis, provocando forte indignação pública em Portugal e no estrangeiro.

Embora na altura tenha sido avançado que cerca de 540 animais teriam sido abatidos, o procurador responsável pelo processo estima que o número real tenha sido de 416 animais. O despacho refere ainda que sobreviveram entre 100 e 120 exemplares, o equivalente a cerca de um quarto da população existente na herdade.

Apesar de reconhecer que foi eliminado “um número impactante de animais”, o Ministério Público entende que não estão preenchidos os requisitos do crime contra a natureza.

Entre os argumentos invocados está o facto de as espécies abatidas — veados, gamos e javalis — não beneficiarem de estatuto de proteção especial. Além disso, o procurador considera que não ficou demonstrada a eliminação de um número “significativo” de exemplares, conceito que a legislação portuguesa não define de forma objetiva.

Leia mais: Animais. Deputada quer combate à crueldade e abandono

O despacho sublinha ainda que estas espécies têm reduzida relevância ecológica, não enfrentam risco de sobrevivência e encontram-se distribuídas por outras zonas do país.

A investigação também não conseguiu ouvir um dos principais organizadores da montaria, o empresário espanhol Mariano Morales, apontado como uma das figuras centrais do evento.

Segundo o despacho, todos os intervenientes contribuíram para dificultar o apuramento dos factos, protegendo-se através de “um manto diáfano de mentiras e encobrimentos interesseiros”.

Apesar do arquivamento do processo-crime, a proprietária da Herdade da Torre Bela foi alvo de uma coima de 3.000 euros, aplicada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O Ministério Público considera ainda que o caso expôs fragilidades na fiscalização da atividade cinegética e lacunas na legislação da caça, defendendo alterações legais que permitam evitar a repetição de situações semelhantes no futuro.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website