Início » Governo brasileiro endurece ataque a Flávio Bolsonaro enquanto decorrem negociações para evitar novas tarifas dos EUA

Governo brasileiro endurece ataque a Flávio Bolsonaro enquanto decorrem negociações para evitar novas tarifas dos EUA

O Governo brasileiro acusou Flávio Bolsonaro de legitimar as tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e voltou a classificá-lo como "traidor da Pátria". Ao mesmo tempo, Brasília mantém negociações diretas com Washington para tentar evitar medidas que podem atingir milhares de produtos de exportação

Lusa

O Governo brasileiro repudiou a participação do senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro na audiência pública dos Estados Unidos sobre novas tarifas sobre produtos brasileiros e voltou a acusar o político de “traição à Pátria”.

Em nota divulgada terça-feira (7), o Palácio do Planalto afirmou que, entre os 34 brasileiros inscritos na audiência, “só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento”, com “claro objetivo” eleitoralista.

O senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores” brasileiros, em vez de rebater as alegações norte-americanas que sustentam o aumento das tarifas, segundo o Governo. A nota acrescenta que Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, “não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem” do aumento de tarifas ao Brasil.

O Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ainda o senador por defender a revogação de normas sobre plataformas digitais e afirmou que tenta agora apresentar-se como defensor do sistema de pagamentos PIX, apesar de querer subordiná-lo “aos interesses norte-americanos”.

Leia também: Presidente argentino declara apoio a Flávio Bolsonaro nas presidenciais brasileiras

Enquanto decorria a audiência, representantes do Governo reuniam-se com técnicos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos para negociar a retirada das tarifas, segundo o Palácio do Planalto. Na conclusão da nota, o Governo brasileiro declarou que “divergir do governo é legítimo”, mas acrescentou que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria”.

A reação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro discursar, em inglês, na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O senador afirmou que o Brasil realizará eleições presidenciais dentro de 90 dias e que uma decisão imediata sobre as tarifas beneficiaria os atuais governantes, numa referência indireta a Lula da Silva.

“Em apenas 90 dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente” e impor agora uma tarifa difícil de reverter premiaria “aqueles que são responsáveis pelas ações em questão”, afirmou. Na sequência, acrescentou que “seria o pior momento possível para agir”.

Flávio Bolsonaro defendeu ainda que o primeiro aumento de tarifas, em 2025, não produziu os resultados pretendidos pelos Estados Unidos. “Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro, exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões”, declarou.

Apesar das críticas, o senador pediu aos Estados Unidos que não avancem com as novas tarifas e defendeu o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. “Não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do PIX e cancelem esta medida para que possamos negociar”, afirmou.

O USTR concluiu que práticas brasileiras relacionadas com o PIX, plataformas digitais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento restringem o comércio norte-americano. O Governo brasileiro não participou na audiência por considerar que o espaço era destinado ao setor privado, mantendo negociações diretas com Washington.

Mais de 4.100 produtos brasileiros poderão ser afetados caso os Estados Unidos adotem as novas tarifas, segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria brasileira. A entidade estima que os produtos abrangidos representam exportações de 14,9 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros).

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website