A Polícia Judiciária (PJ) de Macau deteve um homem por alegadamente ter desviado 2,1 milhões de yuan (cerca de 281 mil euros) em fundos pagos por um cliente da China continental para um visto de investimento em Portugal.
A investigação indicou que o suspeito utilizou as quantias transferidas pela vítima para custear dívidas que tinha, de acordo com um comunicado publicado nos canais oficiais da PJ de Macau nas redes sociais.
No dia 25 de junho, a PJ recebeu uma queixa de um homem da China continental, que afirmou ter confiado a um residente de Macau o pedido de um visto de investimento para imigração para Portugal, suspeitando que as taxas pagas “tinham sido desviadas”.
As autoridades policiais da região adiantaram que o queixoso identificou o suspeito como responsável por uma empresa local de comunicação social em Macau.
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“Em julho de 2025, durante o encontro entre ambos, o suspeito alegadamente afirmou que poderia obter um Visto de Imigração para Empresários D2 para Portugal mediante o pagamento de três milhões de yuan [cerca de 387 mil euros], comprometendo-se a concluir o processo até fevereiro de 2026”, informou a PJ.
O visto D2, também conhecido como visto de empreendedor, é uma autorização de residência para cidadãos de fora da União Europeia que desejam abrir, gerir ou investir em uma empresa, ou trabalhar como profissional autónomo/freelancer em Portugal. “Posteriormente, foi celebrado um contrato de prestação de serviços entre as duas partes”, salientou o comunicado da PJ.
Entre setembro e outubro de 2025, a vítima transferiu um total de 2,5 milhões de yuan (cerca de 322.000 euros) para uma conta bancária designada na China continental, conforme instruído pelo suspeito. Os restantes 500.000 yuan (cerca de 64 mil euros) só seriam pagos após a conclusão do pedido de visto.
“No entanto, em março de 2026, o visto ainda não tinha sido processado, tendo o suspeito adiado repetidamente o procedimento sob vários pretextos”, referiu a PJ.
Desconfiando da situação, a vítima contactou a agência onde o suspeito trabalhava, responsável pelo tratamento da documentação de imigração e descobriu que o homem apenas efetuara um pagamento inicial de 41.000 euros em outubro de 2025 e não havia liquidado quaisquer prestações subsequentes.
A PJ confirmou que o suspeito contratara efetivamente uma “agência de imigração para investimento legítima” para tratar do pedido da vítima e que a documentação do requerente cumpria os requisitos regulamentares exigidos.
“No entanto, após o pagamento da primeira prestação, o suspeito alegadamente comunicou à agência que a vítima ainda não havia pago as taxas de processamento, utilizando esse pretexto para solicitar repetidos adiamentos no andamento do processo”, explicou ainda a PJ de Macau.
A polícia adiantou ainda que o suspeito foi presente ao Ministério Público para continuação da investigação, sob suspeita da prática do crime de abuso de confiança agravado envolvendo quantia elevada, um crime punível com pena de prisão até cinco anos ou multa.