O incêndio que deflagrou esta quarta-feira (24) num edifício classificado na Avenida de Almeida Ribeiro voltou a colocar em evidência as preocupações em torno da segurança dos edifícios históricos de Macau. O imóvel afetado é de propriedade privada, embora esteja integrado num conjunto arquitetónico protegido, segundo a Teledifusão de Macau (TDM).
O Instituto Cultural ainda não conseguiu contactar o proprietário do edifício, mas já indicou que a prioridade passa pela avaliação dos danos causados à fachada e às superfícies exteriores, de acordo com a TDM. As autoridades também irão verificar se os prédios adjacentes sofreram quaisquer impactos decorrentes do incêndio.
Citada pela TDM, a presidente do Instituto Cultural, Leong Wai Man, explicou que, por se tratar de um conjunto arquitetónico classificado, é necessário assegurar a preservação da uniformidade visual do complexo. A responsável salientou que eventuais trabalhos de recuperação terão de respeitar as normas aplicáveis aos edifícios classificados, nomeadamente quanto às cores, materiais e características da fachada.
Macau possui atualmente mais de 600 edifícios classificados como património histórico, segundo dados avançados pela TDM. Para garantir a sua conservação, o Instituto Cultural realiza, pelo menos, duas inspeções anuais a cada imóvel protegido, uma meta que, segundo a mesma fonte, já foi cumprida durante o primeiro semestre deste ano. A frequência das inspeções pode ainda ser reforçada em situações excecionais, como a aproximação de tufões.
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A TDM refere ainda que o Instituto Cultural pretende intensificar o trabalho de sensibilização junto dos proprietários de edifícios privados. Citada pela estação pública, Leong Wai Man afirmou que as autoridades vão apelar a uma maior atenção aos riscos de incêndio e reforçar a cooperação com o Corpo de Bombeiros para acompanhar a situação nos bairros antigos onde se localizam monumentos e edifícios classificados.
Contudo, a preservação deste património enfrenta limitações significativas. Uma parte substancial dos edifícios classificados pertence a privados, o que dificulta a realização de inspeções ao interior dos imóveis, segundo a TDM. Ao contrário dos monumentos públicos, muitos destes edifícios não estão acessíveis às autoridades, condicionando a avaliação das condições de segurança.
Perante este cenário, a estratégia das autoridades passará por reforçar as campanhas de sensibilização e por alertar os proprietários privados para a necessidade de uma vigilância acrescida dos riscos de incêndio, numa altura em que o fogo registado na Avenida de Almeida Ribeiro voltou a expor a vulnerabilidade de parte do património histórico da cidade.