O Brasil registou sete ondas de calor e seca extrema em 2025, informou hoje a Organização Meteorológica Mundial (OMM), que aponta para o agravamento dos eventos climáticos extremos na América Latina e no Caribe.
O relatório “Estado do Clima da América Latina e no Caribe 2025” indica que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) do Brasil contabilizou sete ondas de calor em várias regiões do país durante o ano passado.
O estudo destaca que no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, as temperaturas ultrapassaram 40 °C até o início de março do ano passado, ocasião em que “muitas escolas adiaram o retorno às aulas após os feriados”.
A agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU) destacou que em 16 de fevereiro, o Rio de Janeiro registou 44 °C, enquanto as cidades de Florianópolis, Campo Grande e São Paulo superaram os 37 °C no dia seguinte.
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A cidade de São Paulo – a mais populosa da América Latina – também bateu um recorde de calor no final de 2025, ao atingir 37,2 °C, a maior temperatura em 64 anos de medições, destacou a OMM.
Além das ondas de calor, o relatório aponta seca severa durante o primeiro semestre de 2025, abrangendo desde o Norte e Nordeste brasileiro até estados agrícolas como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A OMM também identificou seca extrema e moderada em áreas da Amazónia meridional, do Nordeste e Sudeste brasileiros, além das bacias dos rios Paraná e São Francisco.
“Os rios atingiram níveis extremamente baixos, o abastecimento urbano ficou sob pressão, e comunidades indígenas e rurais enfrentaram dificuldades devido ao acesso limitado à água potável e à queda nas colheitas”, informa o relatório.
O relatório afirma ainda que as partes sul e oeste da bacia amazónica receberam menos precipitação do que o habitual em 2025.
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“A região amazónica apresenta um sinal misto ou incerto, com estações secas mais longas, extremos de estação chuvosa mais intensos e maior frequência de secas no sul e leste da Amazónia”, aponta a OMM.
O documento menciona que estados brasileiros amazónicos como Amazonas, Acre e Rondônia enfrentaram condições anormalmente secas no início do ano passado. A Organização Meteorológica Mundial também relaciona as condições de seca na região Norte do país ao aumento do risco de incêndios florestais em áreas de fronteira entre a Bolívia, a Venezuela e a Guiana, ameaçando ecossistemas e povoações.