O resultado final das eleições legislativas em Cabo Verde continuava por publicar às 02:20 locais (11:00 em Macau), segundo o portal oficial eleicoes.cv, com 25 mesas de voto ainda por apurar de um total de 1.333.
Apesar disso, o presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Francisco Carvalho, já declarou vitória com maioria absoluta, afirmando que os cabo-verdianos enviaram uma mensagem “clara” de mudança política no país.
“Os cabo-verdianos passaram uma mensagem clara: chegou a hora de mudar a gestão do país”, afirmou Francisco Carvalho durante a declaração de vitória, realizada na sede do partido, na cidade da Praia.
Os resultados provenientes da América, que ainda faltavam contabilizar, confirmaram a maioria absoluta no parlamento, segundo o líder do PAICV.
Leia também: MpD venceu as Eleições de Cabo Verde em Macau
Fontes partidárias apontam para a eleição de 37 dos 72 deputados da Assembleia Nacional, embora os dados oficiais disponíveis até ao momento atribuíssem ao PAICV 33 deputados, correspondentes a 88.966 votos e 46.7% do total.
O Movimento para a Democracia (MpD), liderado pelo primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva desde 2016, surgia com 30 deputados e 83.190 votos, equivalentes a 43.6%. Já a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) obtinha dois deputados e 9.793 votos, ou 5.1%, permanecendo ainda sete mandatos por atribuir. A taxa de abstenção situava-se provisoriamente em 53.4%, um valor recorde no país.
Francisco Carvalho afirmou que a vitória resulta de “um projeto construído a partir da necessidade dos cabo-verdianos” e garantiu que o futuro executivo procurará cumprir as principais promessas eleitorais.
Entre as medidas destacadas estão o acesso gratuito à universidade pública, cuidados de saúde gratuitos, viagens domésticas de barco por 500 escudos (4,53 euros) e viagens aéreas internas por 5.000 escudos (45,35 euros). “Não vamos invocar desculpas para não cumprir”, assegurou.
Leia também: Cabo Verde Escolhe: Continuidade ou Mudança – E a Cooperação com a China?
O líder do PAICV garantiu ainda que o partido irá governar “com responsabilidade e sentido de Estado”, defendendo a continuidade das boas relações com Portugal.
“O relacionamento é extraordinário, está para lá de bom. Portugal tem sido um grande parceiro, seguramente vai continuar a ser e até, digo eu, vai ser ainda mais”, afirmou.
Durante a conferência de imprensa, Francisco Carvalho acusou ainda o MpD de alegada compra de votos na véspera das eleições, referindo distribuição de cabazes alimentares em lojas da cidade da Praia e abertura de agências bancárias para aquilo que descreveu como “compra de pessoas”.
O dirigente criticou também a alegada falta de atuação da Procuradoria-Geral da República e da Comissão Nacional de Eleições perante estas situações.
“Há uma democracia de fachada que tem de dar lugar a coisas reais”, declarou, defendendo mudanças para evitar que, em futuras eleições, “o MpD volte a comprar votos”.
Antes do discurso de Francisco Carvalho, Ulisses Correia e Silva já tinha reconhecido a derrota eleitoral, felicitado o líder do PAICV e anunciado a sua demissão da presidência do MpD.