Trump chegou a Pequim com o objetivo de fechar acordos em sectores como agricultura, aviação e inteligência artificial, ao mesmo tempo que procurava conter divergências entre os dois países em várias áreas geoestratégicas sensíveis, incluindo a guerra no Médio Oriente.
As aproximações de Trump a Xi, a quem descreveu como um “grande líder” e “amigo”, foram recebidas de forma mais contida pelo Presidente chinês. Ainda assim, o líder norte-americano garantiu que “muita coisa positiva” resultou da visita.
“Celebrámos alguns acordos comerciais fantásticos, excelentes para ambos os países”, afirmou, após um passeio com Xi entre os roseirais dos jardins de Zhongnanhai, o complexo da liderança central chinesa junto à Cidade Proibida, em Pequim. “Resolvemos muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam conseguido resolver”, acrescentou Trump, sem avançar detalhes.
Xi afirmou que se tratou de uma “visita histórica” e que os dois lados estabeleceram até agora “uma nova relação bilateral, baseada numa estabilidade estratégica construtiva”. O líder chinês prometeu ainda enviar sementes para o Roseiral da Casa Branca.
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Numa entrevista à Fox News após o primeiro dia da cimeira, Trump afirmou que Xi concordou com vários pontos defendidos por Washington.
Sobre a guerra no Irão, o Presidente norte-americano disse que Xi garantiu que a China não está a preparar apoio militar a Teerão, que praticamente encerrou o Estreito de Ormuz. “Ele disse que não vai fornecer equipamento militar… disse isso de forma muito clara”, afirmou Trump à Fox.
“Disse também que gostaria de ver o Estreito de Ormuz reaberto e acrescentou: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar’”, acrescentou.
Questionado sobre se os dois líderes discutiram o Irão, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês divulgou esta sexta-feira uma nota a defender “um cessar-fogo abrangente e duradouro”. “As rotas marítimas devem ser reabertas o mais rapidamente possível em resposta aos apelos da comunidade internacional”, acrescentou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, embarca no Air Force One antes da sua partida do Aeroporto Internacional de Pequim, em Pequim, a 15 de maio de 2026. (Fotografia: Brendan Smialowski / AFP)
Os apertos de mão e a cerimónia oficial de quinta-feira foram parcialmente ofuscados por um aviso directo de Xi sobre Taiwan, um dos principais focos de tensão geopolítica entre os dois países.
Pouco depois do início das conversações, os meios de comunicação estatais chineses divulgaram que Xi alertou Trump para o facto de erros sobre a sensível questão de Taiwan poderem empurrar os dois países para um “conflito”. A entrevista à Fox News não abordou Taiwan, e Trump recusou comentar o tema quando questionado pelos jornalistas durante a visita.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, disse à CNBC que o Presidente iria pronunciar-se “nos próximos dias”. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou à NBC na quinta-feira que “a política dos Estados Unidos em relação a Taiwan permanece inalterada”.
Pequim levantou a questão, mas “os Estados Unidos deixam sempre clara a sua posição e avançam depois para outros temas”, segundo Rubio. Taipé respondeu esta sexta-feira agradecendo a Washington “o apoio reiterado”. Trump não detalhou esta sexta-feira os acordos comerciais que afirmou ter fechado com a China.
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No entanto, na entrevista à Fox, revelou que um dos maiores negócios envolve a compra, por parte da China, de “200 grandes aviões” da Boeing. As ações da fabricante norte-americana caíram após as declarações de Trump, sinal de que o mercado esperava uma encomenda mais robusta. O Presidente norte-americano afirmou também que Pequim manifestou interesse em adquirir petróleo e soja dos Estados Unidos.
A China, principal comprador estrangeiro de petróleo iraniano, chegou a adquirir pequenas quantidades de crude norte-americano antes de Trump impor tarifas no ano passado. Já as compras chinesas de soja norte-americana abrandaram significativamente, com Pequim a privilegiar o Brasil.
Questionado sobre os acordos comerciais referidos por Trump, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês não confirmou nem desmentiu as informações. Também não houve anúncios sobre os avançados chips Nvidia utilizados em inteligência artificial, apesar de o director-executivo Jensen Huang integrar a delegação empresarial de Trump.
As empresas tecnológicas chinesas continuam impedidas de comprar os chips de inteligência artificial mais avançados da Nvidia, sediada na Califórnia, ao abrigo das regras de exportação impostas por Washington por razões de segurança nacional.
Scott Bessent afirmou à CNBC que houve discussões sobre a criação de “regras de salvaguarda” para o uso da inteligência artificial, acrescentando que “as duas superpotências mundiais da IA vão começar a dialogar”.
Após o passeio pelos jardins, Xi e Trump almoçaram juntos antes de o Presidente norte-americano seguir para o aeroporto. Ao entrar no Air Force One, pouco antes da descolagem, Trump ergueu o punho no ar por duas vezes.