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Caso de espionagem pró-Pequim leva Londres a confrontar China

A condenação de dois homens por espionagem a favor da China levou o Reino Unido a chamar o embaixador chinês para explicações, num caso que expõe operações clandestinas de vigilância sobre ativistas pró-democracia em território britânico

Plataforma com Lusa

Dois homens foram considerados culpados por um tribunal de Londres de crimes de espionagem ao abrigo da Lei de Segurança Nacional, após uma investigação revelar que atuavam sob orientação de autoridades ligadas a Hong Kong e à China.

Chi Leung ‘Peter’ Wai, de 40 anos, e Chung Biu ‘Bill’ Yuen, de 65, foram condenados pelo Tribunal Criminal Central por colaboração com um serviço de informações estrangeiro. Ambos têm dupla nacionalidade chinesa e britânica.

Segundo os procuradores, os arguidos participaram em operações descritas como uma “polícia paralela”, fazendo-se passar por agentes das autoridades para vigiar e recolher informações sobre dissidentes de Hong Kong e apoiantes da democracia no Reino Unido.

Chi Leung Wai, que trabalhava como agente da Força de Fronteiras britânica e tinha ligações a serviços policiais, foi também considerado culpado de má conduta em funções públicas, por aceder indevidamente a bases de dados oficiais do Ministério do Interior.

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Já Chung Biu Yuen, antigo superintendente da Polícia de Hong Kong, exercia funções no Gabinete Económico e Comercial de Hong Kong em Londres, mantendo contactos com entidades ligadas às autoridades daquela região e atribuindo tarefas de vigilância.

A investigação teve origem numa operação policial em maio de 2024, quando nove pessoas foram detidas num apartamento em Pontefract, no norte de Inglaterra. O grupo tentava localizar uma mulher de Hong Kong residente no Reino Unido, recorrendo a métodos enganosos, incluindo a simulação de uma fuga de água para forçar a abertura da porta.

A análise de dispositivos digitais revelou ainda acessos ilegais a dados pessoais e comunicações que indicavam pagamentos feitos por Chung a Chi e a outro arguido, entretanto falecido.

Apesar das condenações, o júri não chegou a um veredicto sobre acusações adicionais de interferência estrangeira. A leitura da sentença foi adiada para data a definir.

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Na sequência do caso, o embaixador chinês no Reino Unido, Zheng Zeguang, foi convocado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico.

“As atividades efetuadas por estes homens, em nome da China, constituem uma violação da nossa soberania e nunca serão toleradas”, afirmou o secretário de Estado do Interior, Dan Jarvis, em comunicado.

O responsável garantiu que o Governo britânico continuará a exigir responsabilidades a Pequim e a confrontar diretamente ações que ameacem a segurança nacional.

A comandante da unidade de combate ao terrorismo da polícia londrina, Helen Flanagan, classificou as atividades como “sinistras e perturbadoras”, sublinhando que é “totalmente inaceitável” a realização de operações deste tipo em território britânico.

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