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Oposição exige a Timor-Leste resultados de investigações à fraude ‘online’

O partido líder da oposição em Timor-Leste exigiu hoje (20) que as autoridades investiguem o alegado envolvimento de elementos do conglomerado empresarial sediado no Camboja, Prince Group, no país, denunciado pela imprensa australiana, e apresentem resultados das investigações à fraude 'online'

Lusa

“Insta-se à continuação das investigações com base nas informações divulgadas pelo OCCRP e pelo The Guardian Australia, para garantir que Timor-Leste se torne um país livre de crime organizado transnacional e de influências políticas prejudiciais à sua economia e reputação internacional”, afirmou o deputado da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Florentino Ximenes “Sinarai”.

O deputado apelou também às autoridades competentes que “apresentem resultados transparentes das investigações relacionadas com jogos ‘online’, fraude cibernética, transações financeiras suspeitas e circulação de dinheiro falso”.

Há duas semanas uma reportagem feita pelo jornal The Guardian Australia e o Projeto de Reportagem sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP, sigla em inglês) revelaram alegadas ligações entre figuras de destaque de organizações criminosas e a construção de um empreendimento de luxo em Díli e destacaram a ligação do Presidente timorense, José Ramos-Horta, à fundação filantrópica AB Foundation e daquela a elementos do Prince Group .

O presidente do Prince Group, Chen Zhi, e outros indivíduos relacionados com aquela empresa foram acusados pelas autoridades internacionais de envolvimento em fraude ‘online’, branqueamento de capitais e tráfico humano.

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“Segundo o relatório, o Presidente da República recebeu 500 mil dólares [426 mil euros] de uma fundação denominada AB Foundation, com sede na Irlanda, que tem ligações a empresas e indivíduos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por envolvimento em atividades comerciais do Prince Group, do Camboja”, afirmou o deputado da Fretilin.

Num comunicado, em reação ao artigo, o Presidente timorense disse que vai continuar a dar as “boas-vindas a investidores interessados em vir para Timor-Leste” e a dialogar com todos.

“No entanto, se surgirem provas que me convençam de que um investidor faz parte de uma rede de crime organizado, o Governo e eu agiremos de imediato para o impedir”, salientou o chefe de Estado.

A Fretilin, através do seu deputado, lamentou a situação e questionou a razão pela qual o “Presidente da República, com tantas responsabilidades internas, aceite ser assessor de uma fundação ligada a redes de crime transnacional”.

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“A Constituição é clara quanto à incompatibilidade de funções do Presidente da República. O artigo 78.º estabelece que o Presidente não pode exercer qualquer outro cargo político ou função pública, nem desempenhar atividades privadas”, salientou Florentino Ximenes “Sinarai”.

O deputado manifestou também “preocupação com o modelo de ‘caridade’ utilizado, salientando que aquele tipo de prática “pode configurar um mecanismo de dissimulação de subornos ou gratificações indevidas”.

A Fretilin questionou também como a empresa, que deveria construir o resort de luxo, obteve registo no SERVE, serviço timorense para criar e legalizar empresas, para operar em Timor-Leste e como obteve terrenos costeiros em Tasi Tolu para o desenvolvimento do projeto.

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