o agravamento do conflito no Médio Oriente e o consequente choque petrolífero estão a travar o crescimento económico e a pressionar fortemente o poder de compra dos consumidores portugueses. Face às estimativas publicadas há seis meses, o Fundo reduziu em duas décimas de ponto percentual a previsão de crescimento para Portugal, que então apontava para 2,1%.
Ainda assim, a nova estimativa do FMI permanece ligeiramente acima da projeção do Banco de Portugal, que em dezembro antecipava um crescimento de 1,8% para a economia nacional.
As novas previsões tornam também evidente que o cenário macroeconómico subjacente ao Orçamento do Estado para 2026, que assenta num crescimento de 2,3%, está desatualizado face à atual conjuntura internacional.
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No capítulo da inflação, o FMI traça um cenário mais negativo. Se em outubro previa uma subida de preços em Portugal próxima da meta do Banco Central Europeu (BCE), nos 2,1%, agora antecipa uma inflação de 3,1% em 2026. Este valor coloca Portugal acima da média prevista para a Zona Euro, estimada em 2,6%, e bem fora do objetivo de estabilidade de preços definido pelo BCE.
De acordo com o relatório, este contexto deverá obrigar a autoridade monetária europeia a manter uma política monetária restritiva, com o FMI a admitir novos aumentos das taxas de juro ao longo deste ano.