De acordo com os investigadores, o paciente era seropositivo desde 2006 e foi diagnosticado, em 2017, com um cancro hematológico agressivo, cuja sobrevivência dependia de um transplante de células estaminais. Sem essa intervenção, o prognóstico era fatal.
A equipa médica procurou inicialmente um dador compatível que apresentasse a mutação genética CCR5, conhecida por conferir resistência natural ao VIH, mas acabou por recorrer ao irmão mais velho do doente, devido à maior probabilidade de compatibilidade familiar. Posteriormente, foi confirmado que o irmão era portador dessa mutação rara, presente em cerca de 1% da população na região.
Segundo explicou à agência AFP o médico Anders Eivind Myhre, principal autor do estudo, a coincidência foi extraordinária. “Foi como ganhar duas vezes na lotaria”, afirmou.
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Dois anos após o transplante, o paciente suspendeu a terapêutica antirretroviral e, desde então, o VIH deixou de ser detetável no organismo. De acordo com os médicos, encontra-se atualmente “em plena forma” e sem sinais de recidiva da infeção.
O caso soma-se a cerca de uma dezena de situações semelhantes registadas a nível mundial, todas associadas a transplantes de medula óssea realizados para tratar cancros graves do sangue. Apesar dos resultados promissores, os especialistas sublinham que este tipo de intervenção não constitui uma solução terapêutica para a generalidade das pessoas que vivem com VIH, devido aos riscos elevados e à complexidade do procedimento.
A infeção por VIH continua a afetar milhões de pessoas em todo o mundo, sendo controlada, na maioria dos casos, através de tratamento contínuo, mas ainda sem uma cura aplicável em larga escala.