Existe um risco crescente de ataques nesta rota por parte dos rebeldes houthis, aliados do Irão, numa altura em que o conflito regional se intensifica e afeta diretamente os principais corredores energéticos mundiais.
O Bab el-Mandeb é um estreito com cerca de 50 quilómetros de extensão e apenas 16 quilómetros de largura, situado entre o Iémen e o Djibouti. Esta passagem liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e é fundamental para a rota marítima que conecta o Mediterrâneo — através do Canal de Suez — aos mercados asiáticos.
Por esta via transitam diariamente milhões de barris de petróleo, grandes volumes de gás natural liquefeito e mercadorias essenciais para a economia global. Estimativas citadas por especialistas indicam que cerca de 12% do petróleo mundial passa por este corredor, chegando em anos recentes a valores próximos de 9,3 milhões de barris por dia.
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O risco de perturbação aumentou após o envolvimento direto dos houthis em ataques a navios comerciais no contexto da guerra entre Israel e grupos apoiados por Teerão. A ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, de endurecer medidas no Estreito de Ormuz levou analistas a admitir uma resposta indireta do Irão, através da intensificação de ações no Bab el-Mandeb.
Um eventual bloqueio teria consequências económicas severas. Já em 2024, ataques na região provocaram uma quebra de cerca de 50% no tráfego do Canal de Suez, de acordo com dados citados pelo Fundo Monetário Internacional. Muitas transportadoras foram obrigadas a contornar África pelo Cabo da Boa Esperança, acrescentando entre 10 e 14 dias às viagens e elevando significativamente os custos logísticos.
Com o Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo — igualmente sob pressão, especialistas alertam que um encerramento simultâneo destes dois pontos de estrangulamento poderia desencadear uma crise energética global sem precedentes, com impacto direto nos preços da energia e nas cadeias de abastecimento internacionais.