O comissário europeu da Economia defendeu esta quinta-feira que Portugal pode ter “alguma margem de manobra” para lidar com a crise causada pelo conflito no Médio Oriente, mas admitiu impactos nos preços dos combustíveis e no poder de compra.
Ainda assim, o responsável apontou que as medidas adotadas no país e em todos da União Europeia (UE) para responder aos impactos económicos da guerra no Irão devem ser “temporárias e direcionadas, para terem maior eficiência e também para mitigar o impacto orçamental”.
Valdis Dombrovskis admitiu que “o primeiro canal pelo qual a crise energética ou as disrupções no fornecimento se fazem sentir é através da energia e, não menos importante, dos preços dos combustíveis, e depois esses impactos vão-se propagando para a economia em geral”.
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O comissário europeu da Economia respondia à eurodeputada bloquista, Catarina Martins, que na sua intervenção apontou que “o custo de vida atingiu esta semana um recorde” já que “nunca o cabaz de produtos essenciais em Portugal esteve tão caro” e que “há pessoas que não conseguem verdadeiramente pôr combustível no carro”.
Uma análise de cenários realizada pela Comissão Europeia aponta que, perante uma curta duração da crise energética, o crescimento da UE poderá ficar 0,2 a 0,4 pontos percentuais abaixo do previsto nas previsões económicas de outono, divulgadas em novembro passado.
Por seu lado, a inflação poderá subir até um ponto percentual.
Se as disrupções no fornecimento de energia forem mais prolongadas ou graves, o impacto será maior, de acordo com Bruxelas, que prevê que o crescimento poderá recuar 0,4 a 0,6 pontos percentuais, e a inflação aumentar entre 1,1 e 1,5 pontos percentuais, tanto em 2026 como em 2027.