“O inimigo ver-se-á preso num turbilhão mortal no Estreito se der um passo em falso”, afirmou o comando naval da Guarda Revolucionária do Irão, numa mensagem divulgada na rede social X, acompanhada por um vídeo que mostra navios sob vigilância. A publicação surge após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado bloquear entradas e saídas de embarcações na estratégica via marítima.
Na mesma mensagem, o comando naval iraniano garantiu que “todo o tráfego está completamente sob o controlo das forças armadas”, numa referência direta à capacidade de Teerão para condicionar a navegação numa das principais rotas energéticas do mundo.
Horas antes, Donald Trump declarou ter instruído a Marinha dos EUA a “procurar intercetar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago portagens ao Irão”. “Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar”, afirmou o Presidente norte-americano, citado pela Associated Press (AP).
Trump disse ainda que os Estados Unidos estão prontos para “acabar com o Irão no momento apropriado”, sublinhando que as ambições nucleares de Teerão estiveram no centro do fracasso das negociações para pôr fim ao conflito em curso.
As negociações presenciais terminaram de madrugada, em Lisboa, após 21 horas, deixando em dúvida a manutenção de um frágil cessar-fogo de duas semanas. Autoridades norte-americanas acusaram o Irão de se recusar a comprometer-se com o abandono de um caminho para a obtenção de uma arma nuclear, enquanto Teerão responsabilizou Washington pelo fracasso das conversações, sem detalhar os pontos de discórdia.
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Nenhuma das partes indicou o que poderá acontecer após o termo do cessar-fogo de 14 dias, marcado para 22 de abril. Mediadores paquistaneses apelaram à manutenção da trégua, advertindo para o risco de uma escalada regional.
Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a ofensiva, a 28 de fevereiro, morreram pelo menos 3.000 pessoas no Irão, 2.020 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dúzia em Estados árabes do Golfo, além de danos significativos em infraestruturas no Médio Oriente.
O controlo exercido pelo Irão sobre o Estreito de Ormuz tem isolado em grande medida o Golfo Pérsico e afetado as exportações de petróleo e gás, contribuindo para a subida dos preços da energia nos mercados internacionais.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que o seu país irá tentar facilitar um novo diálogo entre o Irão e os Estados Unidos nos próximos dias.