O episódio mais recente ocorreu esta semana no Pentágono, quando o secretário da Defesa, Pete Hegseth, pediu ao general Randy George que renunciasse ao cargo de chefe do Estado-Maior do Exército. George, nomeado ainda durante a presidência de Joe Biden, foi convidado a reformar-se antecipadamente, numa decisão que, segundo a imprensa norte-americana, reflete a intenção da Casa Branca de colocar no comando militar oficiais mais alinhados com a agenda de Trump.
A saída ocorre num momento sensível para as Forças Armadas e reforça a perceção de uma purga ideológica nos escalões superiores da hierarquia militar.
Também nos últimos dias, Trump afastou a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi. De acordo com a CNN, a decisão esteve relacionada com divergências internas sobre a condução do processo de divulgação dos ficheiros associados ao caso Epstein.
A saída de Bondi, uma aliada política de longa data de Trump, surpreendeu Washington e expôs fraturas dentro da própria equipa presidencial. A sua substituição interina por Todd Blanche, antigo advogado pessoal do presidente, reforçou as críticas sobre a crescente proximidade entre a Casa Branca e o Departamento de Justiça.
Em paralelo, Trump estará a avaliar novas mudanças em cargos de grande sensibilidade institucional. Segundo o jornal The Atlantic, a Casa Branca discute a eventual substituição do diretor do Federal Bureau of Investigation, Kash Patel, figura próxima de Trump, mas cuja permanência terá sido colocada em causa devido a disputas internas e à gestão das investigações herdadas da administração anterior.
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Estes casos somam-se a uma longa lista de afastamentos decididos desde a tomada de posse. Entre eles estão a arquivista nacional Colleen Shogan, responsável pelos registos oficiais do Estado, e membros do conselho de administração do John F. Kennedy Center for the Performing Arts, instituição cultural que Trump anunciou querer liderar pessoalmente.
No setor da fiscalização eleitoral e laboral, foram igualmente demitidas Ellen Weintraub, presidente da Comissão Eleitoral Federal, e Gwynne Wilcox, membro do Conselho Nacional de Relações Laborais, ambas a contestar judicialmente a legalidade das decisões.
A administração avançou ainda com a demissão de vários procuradores e altos responsáveis do FBI envolvidos nas investigações ao assalto ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021, bem como com o afastamento de pelo menos uma dúzia de inspetores-gerais de diferentes departamentos, cargos criados precisamente para garantir a fiscalização independente do poder executivo.
No plano político e simbólico, Trump também não poupou antigos aliados. Foram afastados, entre outros, o general Mark Milley, antigo chefe do Estado-Maior Conjunto, o ex-enviado ao Irão Brian Hook e figuras ligadas a conselhos presidenciais. No caso de Milley, o Pentágono retirou-lhe a proteção pessoal e as credenciais de segurança, e o seu retrato foi removido do edifício poucas horas após a inauguração presidencial.