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Air France-KLM e Lufthansa na corrida, dono da Iberia e British de fora. O que se segue na privatização da TAP?

O processo de privatização da TAP Air Portugal, relançado pelo Governo português há quase um ano, deu hoje um passo decisivo com a entrega de ofertas não vinculativas por parte de dois grandes grupos europeus — Air France-KLM e Lufthansa — para a aquisição de uma participação minoritária na companhia.

O prazo para a apresentação destas propostas expirou esta quinta‑feira, e, até às 17h00, o grupo IAG — dono da Iberia e da British Airways — não submeteu nenhuma oferta, refletindo uma eventual perda de interesse face às condições da privatização.

O Governo português decidiu relançar a privatização da TAP em julho de 2025, após um longo ciclo de adiamentos e reestruturações que remontam à crise de 2020 — quando a companhia foi nacionalizada de urgência para responder ao impacto da pandemia de Covid‑19.

O objetivo é vender até 49,9% do capital social da TAP, mantendo a maioria nas mãos do Estado. Desse total, até 5% está reservado para os trabalhadores, numa tentativa de equilibrar o envolvimento privado com salvaguardas sociais e estratégicas.

O modelo desenhado pelo Executivo procura combinar a necessidade de reforço de capital e modernização com a preservação de um papel estrutural da TAP na economia nacional e no hub de Lisboa — um ponto crítico de ligação aérea entre Europa, África, América do Norte e América do Sul.

O que as ofertas representam

As propostas agora entregues pelas Air France‑KLM e pela Lufthansa representam uma primeira fase de aproximação formal ao ativo. Ambas prometem sinergias operacionais e industriais com TAP, focalizando‑se especialmente no fortalecimento do Hub de Lisboa, aumento da conectividade internacional e integração em redes mais amplas de transporte aéreo.

Leia mais: Air France-KLM apresenta oferta para comprar participação minoritária na TAP

Em comunicado, o CEO da Air France‑KLM reforçou que o grupo vê o mercado português como um “ponto estratégico” no sul da Europa e que pretende reforçar ligações não só a Lisboa mas também a outros aeroportos nacionais.

O que acontece a seguir

Com as ofertas não vinculativas agora submetidas, a Parpública, entidade responsável pela gestão da venda, terá 30 dias para elaborar um relatório de avaliação das candidaturas, que será enviado ao Governo. O Conselho de Ministros utilizará este parecer para selecionar as candidaturas que avançarão à fase de propostas vinculativas, com um prazo máximo de 90 dias para apresentação das ofertas finais.

Após a receção das propostas vinculativas, a Parpública disporá de mais 30 dias para emitir um relatório final, que servirá de base à escolha da proposta vencedora ou à abertura de negociações adicionais. Só depois será convocada a assembleia‑geral da TAP para aprovar as deliberações necessárias à formalização da privatização e à implementação do futuro plano industrial e estratégico.

Um processo com repercussões alargadas

A privatização da TAP não é apenas um negócio de capitais: trata‑se de uma operação de enorme impacto estratégico para Portugal e para o setor aéreo europeu. A companhia desempenha um papel central na conectividade entre a Europa e mercados como Brasil, Estados Unidos e África — e gerir essa transição sem comprometer essa função tem sido uma prioridade para o Governo.

Especialistas em aviação salientam que esta operação poderá definir, nos próximos anos, não só o perfil competitivo da TAP, mas também o posicionamento de Portugal como hub estratégico no Atlântico Norte — com impacto direto em turismo, comércio e relações económicas internacionais.

Se tudo correr conforme o calendário previsto, a venda parcial da TAP poderá ficar concluída até ao verão de 2026, representando um dos capítulos mais significativos da história recente da aviação portuguesa.

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