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Parlamento de Portugal revoga lei que permite mudança de sexo em menores

O Assembleia da República aprovou esta quarta-feira os projetos de lei apresentados pelo Chega, PSD e CDS-PP que determinam a revogação da Lei n.º 38/2018, diploma que consagra o direito à autodeterminação da identidade e expressão de género e à proteção das características sexuais de cada pessoa. As iniciativas da direita passaram apesar dos votos contra do PS, da Iniciativa Liberal, do PAN, do Livre, do Bloco de Esquerda, do PCP e do JPP.

Em sentido oposto, o Parlamento rejeitou uma iniciativa apresentada pelo Bloco de Esquerda que pretendia reforçar a aplicação da lei em vigor, através da definição de medidas administrativas a adotar pelas escolas, nomeadamente no âmbito da implementação do artigo 12.º do diploma agora revogado. Esta proposta contou com os votos contra do Chega, do CDS-PP, da Iniciativa Liberal e do PSD, tendo o PCP optado pela abstenção.

A votação evidencia uma clivagem parlamentar em torno da matéria da identidade de género, com a maioria formada pelos partidos da direita a defenderem o recuo legislativo e os partidos à esquerda a acusarem a decisão de representar um retrocesso nos direitos e na proteção de crianças e jovens em contexto escolar. A revogação da lei de 2018 deverá agora ter implicações diretas no enquadramento legal aplicável aos serviços públicos, em particular na educação e na saúde.

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A decisão parlamentar deverá abrir caminho a um novo debate político e jurídico sobre o enquadramento legal da identidade de género em Portugal, sendo expectável que os partidos que votaram contra a revogação ponderem recorrer a instrumentos como a fiscalização sucessiva da constitucionalidade ou iniciativas legislativas alternativas. Organizações da sociedade civil ligadas aos direitos humanos e às comunidades LGBTI+ já manifestaram preocupação.

Do lado dos partidos que viabilizaram a revogação, o argumento central passa pela necessidade de “clarificar” o papel do Estado e das escolas em matérias consideradas sensíveis, defendendo que estas questões devem envolver de forma mais direta as famílias e os encarregados de educação. O tema deverá continuar a marcar a agenda política nas próximas semanas, com reflexos no debate público e na definição de futuras políticas educativas e sociais.

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