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China tenta mediar cessar-fogo entre Afeganistão e Paquistão

Pequim enviou o emissário para os assuntos afegãos, Yue Xiaoyong, a ambos os países para contribuir para a mediação do conflito. Esta medida surge num momento em que o conflito voltou a agravar-se no final de fevereiro

Lusa - China

A China enviou um emissário ao Afeganistão e ao Paquistão na semana passada para realizar uma mediação e apelar para um cessar-fogo imediato, após confrontos fronteiriços que provocaram vários mortos, anunciou ontem, 16 de março, a diplomacia chinesa.

O Paquistão e o Afeganistão estão em conflito há vários meses, com Islamabad a acusar o país vizinho de acolher combatentes do movimento dos talibãs paquistaneses (TTP), que reivindicaram ataques mortais em território paquistanês, algo que Cabul desmente.

O Paquistão é um dos parceiros mais próximos da China na região, mas Pequim apresenta-se também como um “vizinho amigável” do Afeganistão.

“A China tem servido constantemente de mediadora no conflito entre o Afeganistão e o Paquistão através dos seus próprios canais”, declarou ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, numa conferência de imprensa em Pequim.

A diplomacia chinesa disse ter enviado o emissário para os assuntos afegãos Yue Xiaoyong a ambos os países para contribuir para a mediação do conflito. Num comunicado, o ministério indicou que o emissário visitou o Afeganistão e o Paquistão entre 7 e 14 de março.

No Afeganistão, Yue reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, e com o ministro do Comércio e da Indústria, Nooruddin Azizi. Manteve igualmente conversações com altos responsáveis paquistaneses, incluindo a secretária dos Negócios Estrangeiros, Amna Baloch, referiu o ministério, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“Incentivou as duas partes a demonstrarem calma e contenção, a implementarem um cessar-fogo imediato e a cessação das hostilidades, e a resolverem as contradições e divergências através do diálogo”, precisou.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, também conversou por telefone com Muttaqi na passada sexta-feira, e prometeu continuar a “fazer esforços ativamente” para reconciliar o Afeganistão e o Paquistão e aliviar as tensões. “O recurso à força apenas complicará a situação (…) e ameaçará a paz e a estabilidade regionais”, disse Wang ao homólogo afegão, segundo o relato da conversa.

Em outubro de 2025, os combates entre o Afeganistão e o Paquistão causaram dezenas de mortos e resultaram no encerramento quase total da fronteira terrestre. Após diversas mediações, os confrontos diminuíram, mas o conflito voltou a agravar-se no final de fevereiro, após ataques aéreos paquistaneses seguidos de uma ofensiva terrestre afegã.

Os dois países reivindicaram ataques no fim de semana, com o Afeganistão a dizer ter tomado um posto fronteiriço numa operação em que matou 14 soldados paquistaneses. O Paquistão anunciou bombardeamentos em Kandahar, a cidade no sul do Afeganistão onde reside em isolamento o líder supremo dos talibãs, Hibatullah Akhundzada.

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A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou na passada sexta-feira, um balanço de 75 civis afegãos mortos desde o intensificar dos confrontos em fevereiro. O conflito provocou 115.000 deslocados internos no Afeganistão, de acordo com o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU anunciou no domingo que estava a fornecer ajuda de emergência a 20.000 famílias afegãs deslocadas pelo conflito.

O Paquistão, que tem armas nucleares, e o Afeganistão são vizinhos do Irão, alvo de uma ofensiva militar de grande escala lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, que desencadeou uma nova guerra no Médio Oriente.

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