O Presidente dos EUA, Donald Trump, instou os parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) e a China a ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz, a via de passagem crucial para o petróleo bruto que o Irão fechou efetivamente. Entretanto, os principais intervenientes económicos começaram hoje a libertar reservas de petróleo para evitar perturbações no abastecimento.
Os preços globais do petróleo subiram entre 40% e 50% depois de o Irão ter bloqueado a via navegável e atacado alvos dos setores energético e marítimo no Golfo, em retaliação à guerra dos EUA e de Israel contra a República Islâmica.
Os preços do petróleo bruto rondam os 100 dólares norte-americanos (cerca de 88 euros), à medida que a guerra no Médio Oriente entrava na sua terceira semana, com Israel a afirmar que ainda tem “milhares de alvos no Irão”, onde também estava a “identificar novos alvos todos os dias”.
Trump afirmou que os Estados Unidos estavam em negociações com o Irão, mas que Teerão não estava pronta para um acordo que pusesse fim à guerra, embora o ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica tivesse negado anteriormente a existência de quaisquer conversações com Washington. “Não creio que estejam prontos. Mas estão a aproximar-se bastante”, afirmou Trump.
O Presidente dos EUA apelou, no fim de semana, a países como a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul e o Reino Unido para que enviassem navios para escoltar os petroleiros através do estreito.
“É mais do que justo que aqueles que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal aconteça lá”, disse Trump ao Financial Times no domingo. Ao contrário dos Estados Unidos, a Europa e a China dependem fortemente do Golfo para as suas importações de petróleo.
Trump ameaçou adiar uma cimeira prevista com o líder chinês Xi Jinping no final deste mês, caso Pequim não colabore na reabertura do estreito. Alegou ainda que a ausência de resposta ou uma resposta negativa ao seu pedido seria “muito prejudicial para o futuro da NATO”. No entanto, tanto Tóquio como Canberra afirmaram que não planeavam qualquer mobilização de forças.
Os comentários de Trump surgiram depois do Irão ter alertado outros países para que não se envolvessem na guerra, que se espalhou pelo Médio Oriente.
Numa conversa telefónica com o seu homólogo francês, Jean-Noel Barrot, o principal diplomata de Teerão, Abbas Araghchi, apelou aos outros países para que “se abstivessem de qualquer ação que pudesse levar à escalada e à expansão do conflito”.
Argumentando que o “guarda-chuva” de segurança dos EUA na região estava “a convidar, em vez de dissuadir, problemas”, Araghchi instou os países vizinhos a “expulsarem os agressores estrangeiros”.
O Irão lançou ataques contra países do Médio Oriente que acolhem forças norte-americanas, e as forças armadas italianas afirmaram que um ataque com drones na base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait – que acolhe forças tanto norte-americanas como italianas – destruiu uma aeronave não tripulada pertencente à Itália, mas não causou vítimas.
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O ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália, Antonio Tajani, procurou minimizar o ataque – o segundo contra uma base italiana no Médio Oriente esta semana -, insistindo: “Não estamos em guerra com ninguém”.
Entretanto, as autoridades iraquianas afirmaram que foguetes feriram cinco pessoas no aeroporto de Bagdade, que alberga uma instalação diplomática dos EUA, enquanto a Guarda Revolucionária do Irão afirmou que, até ao momento, cerca de 700 mísseis e 3.600 drones tinham sido disparados contra alvos norte-americanos e israelitas.
A Arábia Saudita intercetou, hoje, mais de 60 drones, de acordo com dados do Ministério da Defesa, enquanto o aeroporto do Dubai suspendeu os voos por breves instantes depois de um “incidente relacionado com drones” ter provocado um incêndio nas proximidades.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse ao Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que era “inaceitável” atacar interesses franceses, depois de um drone de fabrico iraniano ter matado um soldado francês na região do Curdistão, no Iraque. A guerra também se alastrou ao Líbano, onde Israel lançou um novo ataque aos subúrbios do sul de Beirute no final do domingo.
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No plano económico, a Agência Internacional de Energia anunciou que os membros irão começar a libertar 400 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas, com os países da Ásia-Oceânia a disponibilizarem as reservas imediatamente, e a Europa e as Américas a seguir-se nas próximas semanas.
O Japão, que depende do Médio Oriente para 95% das suas importações de petróleo, anunciou hoje, num aviso publicado no seu jornal oficial, que o nível das reservas de petróleo no país “está a ser reduzido”. A emissão do aviso obriga os gestores das reservas de petróleo a libertar parte das suas reservas para cumprir a nova norma.
O bloqueio do Estreito de Ormuz fez-se sentir a nível mundial, com as autoridades australianas a exortarem a população a evitar a especulação e as compras motivadas pelo pânico à medida que os preços disparam, enquanto os restaurantes indianos foram obrigados a adaptar os seus menus para poupar gás de cozinha.
Mais de 1.200 pessoas foram mortas por ataques dos EUA e de Israel, de acordo com dados do Ministério da Saúde iraniano que não puderam ser verificados de forma independente. A agência da ONU para os refugiados afirma que até 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas no Irão.